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XADREZ
FEMININO
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Carta Aberta
à FIDE e à Federação Georgiana de Xadrez
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Durante as últimas semanas, muitos intelectuais tinham seus
olhos sobre a Olimpíada Mundial de Xadrez 2004, celebrada na
Espanha. Foi uma grande festa para os jogadores e amantes do
xadrez, ainda que tenha sido parcialmente arruinada pelo
terrível incidente que ocorreu na sua cerimônia de
encerramento.
Não vou julgar quem teve ou não teve razão,
pois isso é competência dos juízes espanhóis. Apenas quero
alertar que se a FIDE e a Federação Georgiana de Xadrez
tivessem ouvido e adotado o slogan de minha carta aberta
escrita em junho de 2004 em parceria com a WGM Lela
Javakhisvili e que dirigimos à FIDE e à opinião pública
enxadrística – “FIDE sem Azmaiparashvili” – esse desagradável
incidente não aconteceria.
Se a FIDE tivesse publicado nossa carta em seu
site, se o Sr. Georgios Makropoulos e outros executivos da
FIDE expressassem suas opiniões sobre as ações do Sr.
Azmaiparashvili e se a FIDE não se limitasse a nos responder
pela boca de Stefanova e Kovalevskaia, que só provocaram o
riso irônico de todos, creio que não teríamos sido testemunhas
desse show protagonizado pelo Sr. Azmaiparashvili, que
arruinou esse magnífico dia dos enxadristas.
Estou estupefacta com o que foi dito por alguns
representantes da Federação Georgiana de Xadrez na coletiva à
Imprensa por ela organizada em 1º de novembro. Todos sabem que
não é nada louvável bater numa pessoa que já está de joelhos,
mas não podemos aceitar o arrazoado de alguns GMs
justificando: “É verdade que às vezes o Sr. Azmaiparashvili
provoca conflitos, mas ele é um verdadeiro homem que se
revoltou ao ver a má situação em que ficou a Geórgia”.
E como foi deixada em má situação a Geórgia e por
que isso se transformou num problema político? Não tem
sentido. Por que se utilizaram do nome de Nona Gaprindashvili
para justificar esse incidente? Alguns dos que se expressaram
na coletiva à Imprensa nem sequer estiveram presentes na
cerimônia de encerramento e não têm nem idéia de como ocorreu
esse incidente. Talvez fosse melhor que essas pessoas, antes,
respeitassem seu país e a Sra. Nona Gaprindashvili –
comparecendo à cerimônia de encerramento em que se ofereceu um
troféu com seu nome.
Ou talvez fosse melhor que o Sr. Azmaiparashvili
protestasse contra a acusação formulada pela equipe de Israel,
que acusou os integrantes da Geórgia de perder suas partidas
deliberadamente na última rodada (*). Afinal, foi por causa
disso que ficou em xeque a reputação da Geórgia.
Ninguém vai acusar as Forças de Segurança espanholas
por suas ações, uma vez que elas estavam cumprindo seu dever e
estavam protegendo a sociedade enxadrística de seu país e do
resto do mundo.
O tempo chega para todos, FIDE, a Federação Georgiana de
Xadrez e o próprio Sr. Azmaiparashvili, que deviam avaliar os
eventos e incidentes em que se envolveram e depois tirarem
suas conclusões pertinentes. Ninguém até agora foi penalizado
por suas ações e isso criou uma atmosfera em que parece que
tudo se permite, mas é isso o que ameaça a reputação do Sr.
Azmaiparashvili, sua carreira e até sua própria vida.
Concluindo: peço a FIDE e à Federação Georgiana de
Xadrez, mais uma vez, que levem em consideração estas nossas
considerações, que respeitem as opiniões de qualquer
enxadrista e que limitem as ambições dessas pessoas
agressivas.
WGM Ana Matnadze
(matnadze@yahoo.com).
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WGM Ana Matnadze |
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COMUNICADO da ORGANIZAÇÃO da 36ª OLIMPÍADA DE XADREZ e
da FEDERAÇÃO ESPANHOLA de XADREZ (31/10/2004)
O Comité Organizador da XXXVI Olimpíada de Xadrez e a Federação
Espanhola de Xadrez, ante a nota à Imprensa difundida ontem pela
Federação Internacional de Xadrez, vêem-se obrigados a estabelecer
as seguintes pontuações sobre o mesmo:
No final da Cerimônia de Encerramento da
XXXVI Olimpíada de Xadrez e no momento em que no proscênio estavam
autoridades internacionais, locais e autônomas, o Sr.
Azmaiparashvili tentou subir ao cenário em repetidas ocasiões sem
estar autorizado. Foi então que um agente da Polícia Espanhola
(Guarda Civil), especializado na segurança de eventos
internacionais, um corpo policial de elite, procurou impedir seu
acesso ao palco, de acordo com o protocolo do evento.
Foi nesse momento que o Sr. Azmaiparashvili,
inopinadamente, sem nenhuma prévia provocação, atingiu com uma
cabeçada a boca do agente, provocando com isso sua prisão, após
oferecer uma forte resistência, e posterior traslado às
instalações da Guarda Civil, onde ficou à disposição da justiça.
Como informou o representante da Polícia à Imprensa,
essa agressão foi presenciada por inúmeras testemunhas e neste
instante o Sr. Azmaiparashvili encontra-se detido, acusado de
atentado e resistência à autoridade.
Desde o momento da detenção do Sr.
Azmaiparashvili, todo o processo está sob o controle do
judiciário, como em qualquer país da União Européia, garantindo-se
a ele assistência médica independente e assistência legal.
Sabemos que o Sr. Azmaiparashvili pediu desculpas ao
policial agredido, reconhecendo sua culpa. Esse policial sofreu
lesões que lhe sangraram os lábios.
Tanto os organizadores como o presidente da FEDA, Sr. D.
Javier Ochoa de Echagüen, ofereceram todo tipo de facilidades ao
diretores da FIDE, assim como uma lista de advogados para a defesa
do Sr. Azmaiparashvili.
Quanto à entrega de prêmios, esta se ajustou em todo
momento às instruções da FIDE a seu respeito. O troféu Nona
Gaprindashvili foi entregue à equipe da Rússia pelo Presidente de
Honra da FIDE. Se ocorreu algum senão protocolar, de que a
organização não tomou conhecimento, não se justifica de modo algum
a violência praticada pelo Sr. Azmaiparashvili.
Diante dos fatos acontecidos, o Comitê Organizador da
XXXVI Olimpíada de Xadrez e a Federação Espanhola de Xadrez
desejam expressar sua indignação ante o surpreendente comunicado
da FIDE à Imprensa e requerer:
1º. A retificação das falsidades e
tergiversações, provavelmente derivadas da precipitação na emissão
desse comunicado da FIDE, ajustando-as à realidade do sucedido.
2º. Que uma vez estabelecidas as responsabilidades,
adotem-se as medidas disciplinares cabíveis a um assunto de tal
gravidade, protagonizado por um diretor do órgão máximo do xadrez,
a FIDE.
| Federação
Espanhola de Xadrez |
Comitê
Organizador da 36 Olimp. De Xadrez |
| Presidente
|
Diretor Geral |
| Sr. Javier
Ochoa de Echagüen |
Sr. Antonio
Rami |
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FLAGRANTES DA “TOURADA”
DE CALVIÁ
O
jornal
Diário
de Mallorca
registrou fotograficamente a
evolução
dos
lamentáveis
acontecimentos
cujo
protagonista
principal
era
um
dos vice-presidentes da
própria
FIDE.
Na foto-1, vê-se
claramente
que
o
chefe
da
segurança
está impedindo o
acesso
do Sr. Azmaiparashvili
que,
acompanhado
de
sua
esposa,
tenta
subir
ao
proscênio
onde
está sendo
feita
a
entrega
de
prêmios.
Na foto-2,
após
desferida a
cabeçada
no
segurança
da
direita,
Azmaiparashvili é contido
pelos
demais
agentes.
Note-se
mais
uma
vez
a
presença
de
sua
esposa,
essa
sim,
a
grande
segurança
com
que
contava o Sr. Azmaiparashvili
para
“cartear
sua
marra
de
valente”,
pois
ele
devia
saber
que
com
uma
testemunha
tão
capital,
“los niños de la seguridad”
não
iam
lhe
bater
de
mão
fechada
e,
assim,
ele
escaparia ao
pior.
Na
hora
da
luta
(apud
Vandré):
“Quem
é
homem
vai
comigo!
Quem
é
mulher
fica e
chora...”
Na foto-3, se você chegar o ouvido para bem perto da tela de seu
computador, é possível que você ouça o grito do valentão: “Mamããããããããeee”.
Na foto-4, Azmaiparashvili com um hematoma no olho direito (pelo
menos, fica consignada a presença de um segurança canhoto, o que é
uma raridade...). Ou seria uma nova marca de rímel? Ou será que
realmente ele foi agredido. Se foi, pior ainda, pois pelo seu
sorriso ele parece ter gostado (HC).
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