: : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :    XADREZ FEMININO   : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :


A REVOLTA DAS WGMs

 
       As WGMs Lela Javakhishvili e Ana Matnadze são mais duas enxadristas prejudicadas pelo autoritarismo que vem caracterizando a atual e cediça gestão da Fide. E o seu grito de revolta ressoa nesta presente carta aberta, que elas endereçam à FIDE, ECU (European Chess Union), ACP (Association of Chess Professional), a todas as Federações Nacionais do Mundo, a todos os enxadristas e aos amigos do xadrez.
 


Lela Javakhishvili                                     Ana Matnadze


 

                                          A FIDE SEM AZMAIPARASHVILI!

        Gostaríamos de transmitir-lhes nossa grande preocupação sobre a atual situação da Federação de Xadrez da Geórgia, de sua atuação com relação ao Campeonato Mundial Feminino de 2004 e, em particular, ao injusto comportamento do Sr. Zurab Azmaiparashvili, Vice-Presidente da FIDE.

        Como todos sabem, o Campeonato Mundial Feminino de 2004 ia ser celebrado em Batumi, capital da República Georgiana Autônoma de Ajaria. Devido à situação tensa nessa região, o governo da Geórgia não podia garantir a segurança das participantes da competição. Os ministros georgianos de Assuntos Exteriores e de Cultura e Desporte tornaram públicos fartos comunicados oficiais dando conhecimento dessa resolução.

        Quando o Sr. Azmaipashvili convidou o presidente da FIDE (Kirsan Ilyumzhinov) para em Ajaria firmar o contrato com o Sr. Abashidze (chefe do governo de Ajaria, que governava a região de maneira ditatorial) para a efetivação do Mundial Feminino em Batumi, Abashidze havia se insurgido contra o governo central. Bloqueando as principais rodovias, proibindo a entrada das forças do governo na região e dispersando violentamente pacíficas manifestações. Por esta razão, o Governo da Geórgia não podia garantir a segurança das participantes. O presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, durante sua reunião com Ilyumzhinov em Tblisi, sugeriu a transferência do evento para a capital do país, Tblisi, garantindo assim a segurança das participantes e os prêmios desse torneio no montante de U$ 700 mil dólares.

       Mesmo assim, essa oferta foi rechaçada e o campeonato transferido para Elista (capital da Kalmykia), sendo que, em seguida, um comunicado da Assembléia da FIDE informava que a vencedora desse Mundial receberia um prêmio (troféu) especial, denominado “A Coroa de Aslan Abashidze”, em nome do mesmo.

       Essa decisão, que mereceu nosso protesto, ocorreu quando as tropas de Abashidze faziam voar as principais pontes da região, isolando-a do resto de Geórgia, e dispersavam uma concentração pacífica de estudantes e professores.

       Azmaipashvili regressou a Geórgia após inúmeras manifestações que obrigaram a Abashidze a exilar-se longe da Geórgia, enquanto todas as repúblicas da Geórgia celebravam a vitoriosa revolução e a liberação de Ajaria do regime de Abashidze. O Sr. Azmaiparashvili, muito entusiasmado, comentava que o mencionado prêmio continuaria sendo um presente especial; e mais ainda: o título do Campeonato Feminino seria consignado como “O Presente de Aslan Abashidze ao Xadrez Mundial”.

       Nós protestamos contra essa decisão, ao que Azmaiparashvili respondeu com sua habitual agressividade quando as opiniões divergem das suas, tratando-nos de uma maneira hostil e intimidadora e usando uma linguagem imprópria e grosseira (provocando o copioso pranto de nossas mães, presentes nessa reunião), além de nos pressionar no sentido de que renunciássemos de participar desse Mundial, renunciando assim ao nosso direito de competir direito obtido nos tabuleiros, sem a ajuda de Azmaiparashvili e Abashidze.

        Não obstante fosse para nós muito importante nossa participação nesse mundial, decidimos em primeira instância renunciar dessa participação, porquanto estaríamos desprotegidas em Elista do comportamento de Azmaiparashvili. Ainda assim, depois de falarmos com Alexandria (Nana Alexandria é uma famosa WGM que sempre foi um exemplo a ser seguido por nós), quando pediram que reconsiderássemos nossa decisão, uma vez que o Ministério de Desporte e Cultura e o Conselho da Federação de Xadrez da Geórgia garantiam-nos que Nona Gaprindashvili (ex-Campeã Mundial) seria a responsável por nossa segurança, aceitamos participar do evento. Desgraçadamente, porém, essa solução não funcionou.

       Em Elista, Azmaiparashvili e sua mulher, Marina Milorava, continuaram pressionando-nos psicologicamente. Logo à nossa chegada, tivemos problema com alojamento e teríamos passado aquela primeira noite ao relento, se não nos socorresse a hospitalidade de nossas amigas georgianas. Curiosamente, em Elista, Marina Milorava estava encarregada do setor de logística, além de prestar seus serviços como Vice-Presidenta da Federação de Xadrez de Tblisi, como Secretária Geral da Federação de Xadrez do Mar Negro (por recomendação de seu marido) e como Organizadora Internacional.

       Acreditamos que todas as Federações Nacionais devam ser informadas sobre o ocorrido e queremos transmitir-lhes nossa veemente convicção de que o mundo do xadrez, na Geórgia e em toda a Europa, estaria melhor sem personagens tão agressivos e retrógados como o Sr. Azmaiparashvili. Acreditamos também que um homem que aproveita sua posição de mando para influenciar negativamente na carreira de jogadores não devia fazer parte da gestão de nenhum federação internacional. Em especial, a FIDE.

       Esta é uma chamada a todas as Federações de Xadrez e Associações Profissionais de Xadrez de todo o mundo, no sentido de que apóiem nossa causa e o nosso slogan: “A FIDE SEM AZMAIPARASHVILI!” e que a divulguem, se possível com comentários.

 

WGM Ana Matnadze
WGM Lela Javakhisvili

 

Contato:

geoyca@hotmail.com
anaterine@hotmail.com
lelajavakhisvili@yahoo.com
matnadze@yahoo.com
 

 

HOME :: PERFIL :: ATUALIDADES :: COLUNAS :: TEORIA :: COMPUTAÇÃO :: ARQUIVO :: XADREZ FEMININO :: LINKS :: CONTATO