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Ao
ensejo do transcurso no dia 20 de maio do centenário do
dr. Max
Euwe,
houve significativas homenagens nos principais centros enxadrísticos,
principalmente na Holanda - seu país natal.
Preso
a ele por estreitos laços de amizade e admiração venho prestar- lhe o
meu tributo, procurando focalizar as características fundamentais dessa
extraordinária personalidade.
O
PROFESSOR
- Nascido e criado num ambiente voltado para as atividades
intelectuais, aprendeu aos quatro anos de idade a jogar xadrez com seus
pais e demonstrou logo uma grande afinidade, tudo indicando que seria um
prodígio do tabuleiro.
Considerando,
porém, a vida incerta e sacrificada dos profissionais do xadrez, ele
foi orientado para os estudos acadêmicos e, aos 22 anos, formou-se com
láurea na Universidade de Amsterdã e, no ano seguinte, assumiu o cargo
de professor de Matemática e Mecânica.
Em
1926, conquistou com reconhecido mérito o honroso título de doutor.
Paralelamente às suas funções acadêmicas, não deixou de cultivar a
prática enxadrística, participando com destaque das mais diversas
competições em seu país. Sempre, porém, situou em primeiro plano as
suas atividades como laureado professor!
O
CAMPEÃO - Após
ter vencido com relativa facilidade dois matches com Efim Bogolyubov
em disputa do título mundial e ter-se recusado pelas mais diversas
evasivas a conceder uma revanche a Capablanca, o campeão Alexandre
Alekhine aceitou em 1935 o desafio do holandês Max Euwe. Mesmo
convicto de seu favoritismo, Alekhine firmou um contrato, tendo como
cláusula principal a garantia de que, no caso de ser derrotado, teria
direito a uma revanche no prazo de dois anos! Isto é - fez aquilo que
Capablanca, cônscio de sua superioridade, não teve a precaução de
estabelecer!
Para
surpresa geral, Euwe conseguiu vencer o match, não obstante tenha
começado perdendo! Com o intuito de justificar esse insucesso, os
exaltados admiradores de Alekhine alegaram que, na ocasião do match,
seu ídolo levava uma vida dissipada, sem o preparo anteriormente
empregado no duelo com Capablanca.
Passados
dois anos, respeitando o previamente estabelecido, Euwe concedeu
revanche a Alekhine e, embora tenha começado vencendo, terminou
perdendo o match e, por conseguinte, devolvendo-lhe a coroa de campeão.
Um
detalhe sumamente importante tem sido omitido pela maioria dos
historiadores desse evento – em 1935, Euwe contou com a ajuda técnica
de Erich Eliskases – considerado na época um dos mais completos
analistas e pesquisadores da teoria – já no match-revanche de 1937,
Alekhine contratou antecipadamente os serviços de Eliskases, enquanto
que o grande-mestre norte-americano Reuben Fine, acertado por Euwe para
substituir Eliskases, sofreu uma crise aguda de apendicite e teve de ser
operado, ficando impossibilitado de exercer as funções de auxiliar
técnico. Para substitui-lo, Euwe recorreu à ajuda de seu compatriota
Lodewijk Prins – que não tinha a categoria nem a experiência do
grande-mestre austríaco Erich Eliskases.
Com
a morte de Alekhine em 24 de março de 1946, o trono mundial ficou sem
ocupante e para suprir essa lacuna os delegados à assembléia da FIDE
de 1947 propuseram, com geral aprovação, que Euwe, na qualidade de
campeão anterior e único ainda vivo, voltasse a ser detentor do
título, até que fossem estabelecidas novas regras para definir o
assunto. No dia seguinte a essa aprovação, chegou a delegação
soviética – estreante como membro da FIDE – que não se conformou
com semelhante decisão e conseguiu torna-ia sem efeito. Desta forma,
Euwe voltou a ser campeão mundial por um dia apenas!
Do
vitorioso match de 1935, a partida de maior destaque foi a 26a,
não só por seu empolgante desenrolar, mas também por seu caráter
decisivo. Conhecida como "A Pérola de Zaandvoort", eis como
ocorreu este embate crucial
Zaandvoort, 03 de dezembro
de 1935.
Brancas – Max Euwe
Pretas – Alexandre Alekhine
PD – Defesa Holandesa
ECO – E18

1.d4 e6 2.c4 f5 3.g3 Bb4+ 4.Bd2 Be7 5.Bg2 Cf6 6.Cc3 0-0 7.Cf3 Ce4
8.0-0 b6 9.Dc2 Bb7 Ce5! Cxc3 11 Bxc3 Bxg2 12Rxg2 Dc8 13.d5! d6 14.Cd3 e5
I5.Rh1 c6 16.Db3 Rh8 17.f4! e4 18.Cb4 c5 19.Cc2 Cd7 20.Ce3 Bf6?! 21.Cxf5!
Bxc3 22.Cxd6 Db8 23.Cxe4 Bf6 24.Cd2 g5!? 25.e4 gxf4 26.gxf4 Bd4 27.e5 De8
28.e6 Tg8! 29.Cf3? Dg6 30.Tg1 Bxg1 31.Txg1 Df6? 32.Cg5 Tg7 33.exd7 Txd7
34.De3 Te7 35.Ce6 Tf8 36.De5! Dxe5 37.fxe5 Tf5 38.Te1 h6 39.Cd8! Tf2
40.e6 Td2 41.Cc6 Te8 42.e7 b5 43.Cd8 Rg7 44.Cb7 Rf6 45.Te6+ Rg5 46.Cd6 Txe7
47.Ce4+ 1-0
O
ANALISTA -
Colaborador das mais
diversas publicações enxadrísticas, manteve durante muito tempo uma
excelente seção intitulada "A PARTIDA DO MÊS",
que era transcrita nas principais revistas, focalizando uma partida
magistral de grande valor didático. Com uma maneira toda especial de
analisar, esmiuçando todas as nuances da abertura à luz da mais
atualizada teoria, "A PARTIDA DO MÊS" era uma valiosa fonte
de consulta de todo jogador de torneio.
O
dr. Euwe chefiava também uma equipe de pesquisadores holandeses que
divulgavam quinzenalmente as mais recentes novidades na fase inicial da
partida, com o título de "Folhas Esparsas de Informações
Enxadristicas" - (Losbiadige
Schaakberichten).
Em
meio as suas análises apreciando partidas de alto nível, ele comentava
também - a título talvez de incentivo - partidas de simples amadores,
como mostramos em seguida:
XVII Campeonato do Brasil
Rio de Janeiro, setembro de 1949
Brancas - J.C. Almeida Soares
Pretas - Ronald Câmara
PD - Defesa índia do Rei
ECO E 68
1.c4 Cf6 2.d4 g6 3.g3 Bg7 4.Bg2
0-0 5.Cc3 d6 6.Cf3 Cbd7 7.0-0 e5 8.e4 c6
Até aqui, ambos os contendores jogaram de acordo com as regras da
arte. A posição a que se chegou tem sido examinada pelos mestres
russos e considerada igual. A superioridade de terreno à disposição
das Brancas é compensada pelas possibilidades combinatórias que as
Pretas podem explorar em diversos casos.
9.b3
Da5
Esta jogada é muito adequada no esquema combinatório das Pretas. A
D pode transportar-se para a ala do R, no momento oportuno.
10.Bb2 Td8
11.Dc2 exd4 12.Cxd4 Cg4 13.Tad1 Dh5 14.h3 Cgf6
Não era possível 14...Cge5 por causa de 15 f4. Tem-se a impressão
que as Pretas perderam dois tempos, mas, em compensação a jogada 14 h3
deve ser considerada uma fraqueza.
15.Cf3
Com esta jogada, as Brancas irão obter vantagem material.
15 ... Cf8 16.e5
Sempre uma situação que parece muito promissora para as Brancas.
16 ... Bf5 17.De2
dxe5 18.g4
Eis a ponta da combinação das Brancas que, entretanto, será
severamente punida. Elas ganham uma peça, mas, além dos peões que
irão perder, terão que enfrentar um ataque muito forte contra o seu R.
18. ... Cxg4
19.hxg4 Bxg4 20.Ce4 Ce6
De novo, fortemente jogado. O C está a caminho de "f4" ,
onde vai desempenhar um importante papel na ofensiva. Se as Brancas
tentam evitar Cf4 com 21.Bc1, a seqüência decisiva seria 21... Cd4.
21.Cg3 Cf4 22.Txd8+
Txd8 23.De4 Dh6 24. Bc1 f5 25.De3
Não servia 25.Bxf4 fxe4! 26 Bxh6 exf3 27 Bxg7 fxg2!, recuperando a
peça, com vantagem decisiva. Maior resistência oferecia 25 Dc2 que,
contudo, seria contestado com 25 ... e4.
25 ... Bh3!
A jogada ganhadora!
26.Bxh3
Forçado, pois 26 Ce1 seria refutado com 26. ... Bxg2 27. Cxg2 Ch3+ 28
Rh2 f4, etc.
26 ... Dxh3 27.Ce1
Td1
Um
arremate muito forte. A ameaça era 28 ... Txe1, seguido de 29 ... Dg2++.
Óbvio é que se 28 Df3 Txc1, enquanto que 28 Ch1 Txe1 29 Dxh3 Cxh3+ 30
Rg2 Txf1, com ganho fácil. Por esses motivos, as Brancas abandonaram.
Uma vitória convincente.
Os
comentários dessa partida foram feitos pelo
dr. Max Euwe
e publicados
na revista holandesa "Op den Uitkijk", janeiro de 1950.
ENCONTRO
DOS EXTREMOS - De
passagem por New York, em 1957, o dr.Euwe foi solicitado a
fazer um teste com um talentoso jovem que vinha demonstrando possuir
qualidades excepcionais e era apontado como um novo Paul Morphy.
Seu nome: Robert James Fischer, mais conhecido pelo diminutivo de
"Bobby" Fischer que estava destinado a abalar os
alicerces do xadrez mundial com suas fenomenais proezas!
Para
os norte-americanos, ele seria a glória da "arte de Caissa"
e, paradoxalmente, quando atingisse o ápice de sua fulgurante carreira,
com a conquista do título mundial, passaria a ser uma fonte de tristeza
e decepção com suas atitudes contraditórias e absurdas exigências
que culminariam com sua ausência definitiva da disputa de qualquer
competição enxadrística.
Naquela
oportunidade, o dr, Euwe, com seu habitual espírito esportivo e
disposição de estimular os valores em ascensão, aceitou a
incumbência de jogar um match de duas partidas. Esse veterano
ex-campeão de 57 anos não se atemorizou diante do adolescente Fischer
de 14 anos e se houve de maneira impecável, com um empate e uma
vitória que se constituiu numa verdadeira aula, realizando uma graciosa
e instrutiva miniatura, como apresentamos em seguida:
MATCH-EXIBIÇÃO
New York, março de 1957
Brancas - Max Euwe
Pretas - Bobby Fischer
PD - Def. Nimzoíndia
ECO E48
1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 d5
4.cxd5 exd5 5.Bg5 Bb4 6.e3 h6 7.Bh4 c5 8.Bd3 Cc6 9.Cge2 cxd4 10.exd4 O-O
11.O-O Be6
De aparência saudável, esta jogada não atende às necessidades da
posição, como o curso da partida tornará evidente. Indicado era 11
... Be7 ou mesmo 11... Bxc3.
12.Bc2
Planejando o "trem" 13 Dd3!, com rápido triunfo.
12..Be7
O jovem Fischer não percebe em toda a sua profundidade o perigo que
ronda o seu Rei. Alguns comentaristas sugeriram a medida desesperada
12... g5, mas, neste caso, a seqüência 14 Cxe6 fxe6 15 Bg3, seguido de
16 Be5, proporcionaria às Brancas uma posição vitoriosa.
13.Cf4
13. ... Db6 14.Bxf6 Bxf6
15.Dd3
Ei-lo: o "trem
das onze" que decidirá em pouco tempo esta partida.
15... Tfd8
A alternativa 15 ... g6 era igualmente perdedora: 16 Cxg6! fxg6 17 Dxg6+
Bg7 18 Dxe6+, com ganho fácil.
16.Tae1 Cb4 17.Dh7+ Rf8
18.a3!
Esta singela continuação é a pá de cal nas pretensões de
sobrevivência das Pretas.
18 ... Cxc2 19.Ccxd5 Txd5
20.Cxd5!
Uma instrutiva e elegante demonstração tática que deve ter sido um
proveitoso ensinamento para o jovem norte-americano.
1-0
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O Presidente da FIDE ao
centro,
Ronald Câmara (direita) e
Washington de Oliveira |
O
DIRIGENTE - Um dos
fundadores da "Fédération
Internationale des Échecs" (Paris,
1924), o dr.Max Euwe foi o único campeão mundial que até agora
dirigiu esse órgão máximo do enxadrismo.
Durante
a sua gestão promoveu o desenvolvimento do xadrez nas mais diversas
regiões: África, Ásia e o continente americano foram incentivados a
promover torneios, principalmente entre os jovens, com o intuito de
estimular o surgimento de novos valores.
Hábil,
competente e diplomata, o dr. Euwe soube enfrentar situações difíceis
e conflitantes, merecendo ser ressaltado o modo como contornou as
dificuldades surgidas no decorrer dos dois mandatos em que esteve à
frente dos destinos do xadrez mundial.
É
oportuno lembrar que ele era presidente da FIDE quando ocorreu a
ascensão e queda de "Bobby" Fischer como campeão do mundo.
Após a sua sensacional arrancada, derrotando Taimánov, Larsen e
Petrosian, "o furacão norte-americano" ficou credenciado a
desafiar Spássky em disputa do cetro de campeão, mas, para isso, ele
fez uma série de exigências e assumiu atitudes extravagantes que quase
inviabilizaram a realização desse confronto. Somente com muita
habilidade e paciência - notadamente do presidente da FIDE - foi
possível efetuar esse "match". Com a retumbante vitória de
Fischer, amplamente comemorada em todos os escalões, a comunidade
enxadrística estava eufórica, com a esperança do surgimento de uma
nova era, rica e produtiva para o xadrez. Ledo engano! Nos três anos em
que esteve oficialmente como campeão mundial, Fischer não jogou uma
competição sequer e recusou-se a enfrentar Anatole Kárpov, a menos
que o regulamento dessa prova fosse modificado, estabelecendo que o
campeão só perderia o título se o desafiante ganhasse com o mínimo
de dois pontos de vantagem!
Em
vista de tamanha exigência e, ao mesmo tempo, ansioso para salvar o
match, o dr. Euwe resolveu fazer uma convocação extra dos países
filiados à FIDE para decidir o assunto. Por uma ironia do destino, os
delegados reunidos na cidade holandesa de Bergen - inclusive este
cronista - rejeitaram a reivindicação de Fischer por dois votos
apenas!
Deste
modo, no dia 03 de abril de 1975, o dr. Euwe - sobremodo contrafeito -
viu-se na contingência de cassar o título de "Bobby" Fischer
e proclamar o desafiante Anatole Kárpov campeão mundial!
Ao
término de seu mandato como presidente da FIDE, o dr. Euwe lamentava
não ter conseguido efetivar o duelo Fischer x Karpov, mas, tinha a
consciência tranqüila por ter pautado sempre suas ações seguindo o
que preconizava o político francês Georges Clemenceau:
"agir
colocando o coração acima do estômago e o cérebro acima dos
dois"!
O
DIDATA - Em
reportagem publicada na revista argentina "Ajedrez", dezembro de 1971, o jornalista romeno-argentino
Dumitru Taraoiu afirma que o dr.Euwe escreveu cerca de 60 obras sobre o
xadrez, abordando os mais variados assuntos, desde a abertura, meio-jogo
e final, até a estratégia e tática a ser adotada no decorrer de uma
partida. Para citar apenas os principais, lembramos os seguintes livros:
"Strategic and
Tatics", "The Development of Chess Style", "Theorie
der Schaakopeningen", "Judgement and Planning in Chess",
"The Middle Game" (com Haije Kraemer), "The Road to Chess
Mastery" (com Meiden), "From my Games" e
"A Guide to Chess
Ending" (com David Hooper).
Sem
sombra de dúvida, pode-se afirmar que o dr. Max Euwe ocupa um lugar de
merecido destaque na história da literatura enxadrística, com uma
inestimável contribuição, fruto com certeza de sua excelente
formação acadêmica.
UMA
DATA FESTIVA - Desde
1935, quando obteve o título de campeão mundial, o dr.Max Euwe passou a ser reverenciado na Holanda
como um herói nacional e o seu natalício - 20 de maio - comemorado com
muitas festividades. Houve porém um aniversário que suplantou todos os
demais. Em 1976, quando ele completou 75 anos de idade, os seus
conterrâneos e membros do "Centrum
Max Euwe" resolveram
marcar de forma indelével essa efeméride e convidaram os amigos do
mundo inteiro, a fim de desfrutar uma semana de expressivas
comemorações.
Privilegiado
com um convite, estivemos em Amsterdã tomando parte nessa grandiosa
festa e recebemos como "souvenir" desse evento uma cartela
autografada pelo homenageado, emitida pelos Correios da Holanda, com
dois selos de valor histórico- um alusivo ao campeonato mundial de 1935
e o outro referente ao seu importante cargo de presidente da FIDE, que
pode ser apreciada em reprodução anexa.
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Amsterdã,
27 de junho de 1981.
Estimado Amigo Ronald Câmara:
Um pouco atrasado, mas não intencionalmente,
agradeço-lhe de todo coração, as suas amáveis
congratulações, bem
como as suas colunas de xadrez,
nas quais me trata sempre da maneira mais honrosa.
Estamos todos bem de saúde e com boa disposição.
Espero que o mesmo ocorra com Você e sua família.
Quando verei mais uma vez o seu interessante país?
Com calorosas saudações
Max Euwe |
O
AMIGO - Conheci-o em 1947,
quando esteve em Fortaleza pela primeira vez, trazido da Argentina pelo
paladino Gilberto Câmara, numa "tournée" pelo Brasil.
Paciente e atencioso, cativou a todos os participantes da monumental
"simultânea" ministrada no salão nobre do "Clube dos
Diários". Passados
24 anos, em 1971, na companhia desse cronista, ele voltou a visitar
Fortaleza, culminando uma excursão que começou em Porto Alegre e
passou pelos principais centros enxadrísticos brasileiros. Era então
presidente da FIDE e aproveitou o ensejo para realizar outra grandiosa
"simultânea" e efetuar proveitosas palestras sobre as
transformações que vinha realizando no órgão máximo do xadrez.
Dois anos depois, em 1973, ele viria ao Brasil,
como convidado especial para prestigiar o memorável "Torneio
Interzonal de Petrópolis", competição que reuniu alguns dos
mais expressivos astros internacionais e terminou com a consagradora
vitória do grande - mestre brasileiro Henrique Mecking.
Além de contatos pessoais em diversas
olimpíadas, sempre mantivemos um intercâmbio, através de periódica
correspondência, como atesta a carta que ele meescreveu - cinco meses
antes de seu falecimento - cuja cópia ilustra este registro.
Como
fecho deste tributo a tão extraordinária personalidade, fazemos nossas
as significativas palavras de Shakespeare:
"Sim, era no conjunto, um verdadeiro homem, jamais encontrarei,
jamais, o seu igual".
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