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0 caso do aficionado que ficou famoso com um lance apenas pertence ao
folclore enxadrístico e já foi contado em prosa e verso, mas, mesmo
assim, o seu interesse perdura e encerra alguns detalhes curiosos,
dignos da apreciação de nossos freqüentadores.
Tudo começou em 1875, por ocasião de uma partida travada entre o frei
Vivian Fenton e William Potter, no
"City of London Chess Club".
Mencionada partida produziu um final destinado a ocupar um lugar de
relevo nos anais enxadrísticos, embora a sua importância só tenha
obtido repercussão vinte anos depois de jogado, graças ao colunista
Georges Emile Barbier, em sua seção de xadrez no jornal
"Weekly
Citizen"., de Glasgow, Escócia, em 27.04.1895. 0 final apresentado
foi o estampado no
diagrama
nº 1, com o enunciado: "As Pretas jogam
e empatam". Na semana seguinte, o próprio Barbier encarregou-se de
fazer uma pequena mudança de caráter meramente estético no final:
situou o peão das Brancas em "c6", conforme aparece no
diagrama nº 2, esclarecendo que, neste caso,
"As Brancas jogam e as
Pretas conseguem empatar". Decorridos dez dias, um dos freqüentadores
do círculo de xadrez de Londres, o monge espanhol Fernando Saavedra
tomou conhecimento do assunto e procurou descobrir a solução, achando
de pronto a seguinte resposta: 1 c7 Td6+ 2 Rb5 Td5+ 3 Rb4 Td4+ 4 Rb3
Td3+ 5 Rc2 Td4! 6 c8=D Tc4+!! 7 Dxc4 pate!
De espírito
especulativo e mente inquiridora, Saavedra não ficou satisfeito com a
solução encontrada e sentiu que o final ainda continha alguma nuance
que havia passado despercebida de todos. De súbito, à semelhança de
Arquimedes, exclamou: "Achei! As Brancas, no 6º lance, ao invés
de Dama, devem fazer uma Torre! Neste caso, a igualdade material é
superada pela ameaça de mate das Brancas em "a8". forçando a
defesa 6 ... Ta4 que seria contestada com 7 Rb3!., com a dupla ameaça:
mate e captura da torre!"
Esta brilhante
solução suscitou o entusiasmo de
Barbier, fazendo com que ele
publicasse uma vez mais o final. Assim, na edição do "Weekly
Citizen" de 18.05.1895, estampou a nova versão e teve a
magnanimidade de destacar que se tratava de uma descoberta feita por
Fernando Saavedra, com os dizeres:
as Brancas jogam e ganham!
Deste modo,
esse monge espanhol ficou com todas as glórias e passou para as
páginas da história do xadrez graças unicamente a uma simples, embora
engenhosa jogada!
Por último,
merece ser registrado que a idéia de
Saavedra tem despertado a
capacidade criadora de notáveis compositores de finais como revelam os
seguintes exemplos.
0
diagrama nº
3 focaliza um estudo de autoria do talentoso finalista russo
Aleksey
Troitsky , divulgado em 1924, na publicação
"Ceske Slovo".
com o anúncio: As Brancas jogam e ganham.
A beleza do
tema é revelada de forma magistral, a saber:
1 h7 Tg5+ 2 Rxd6 Txh5 3
Rc7
(Ameaçando mate de Torre em "a2")
3 ... Be6 4
Rb8
(O mate
agora é em "d6")
4 ... Bd5 5 Txd5! Txd5! 6
hg=T!
(Se 6 h8=D?
Tdg+! 7 Dxd8 pate!)
6 ... Td6 7
Rc7!.
e ganham, pois a dupla ameaiça -
mate e captura da Torre - não pode ser anulada.
0
diagrama
nº 4, no qual as Brancas jogam e ganham, é um estudo de autoria do
consagrado finalista russo
Mark Liburkin, transcrito na revista
"Xadrez na URSS"em 1931,no qual o
"tema de Saavedra"
é realçado com muito engenho, como mostra a sua solução:
1 Ccl,
com
as seguintes alternativas: a) 1... Txb5 2 c7 Td5+ 3 Cd3! Txd3+ 4 Rc2 Td4
5 c8=T! Ta4 6 Rb3 e ganham; b) 1 ... Td5+ 2 Rc2 Tc5+ 3 Rd3 Txb5 4 c7
Tb8! 5 cxb8=B! e ganham.
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