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Em
Londres, entre 21 e 27 deste mês, mais um duelo
defrontando Homem x Máquina, em match de 6
partidas. De um lado, o mais forte GM-A inglês da
atualidade e 7º no ranking mundial, Michael Adams
(17.11.1971 – 2737), e do outro, a revolucionária
e vitoriosa Hidra, concebida pelo genial
programador Chrilly Donninger.
No presente caso, amparada pela força de 200 PCs e atuando
num Intel Xeón de 3.06 GHz, a Hydra é capaz de
calcular 200 milhões de lances por segundo. Até a
3ª rodada, o resultado era Hydra 2.5 x 0.5 Adams.
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X |
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Hydra (0000) x (2737) M. Adams (1/m
Man-Machine, Londres, 21.06.2005 – Petrov, C 42).
1 e4 e5 2 Cf3 Cf6
Conhecida
também
como
Defesa
Russa, essa
agressiva
linha
de
jogo
estaria
melhor
qualificada se se denominasse
como
Contra-Ataque
Petrov.
3 Cxe5 d6 4 Cf3
Cxe4 5 d4 d5 6 Bd3 Cc6 7 0-0 Be7
Variante
recomendada
pelo
GM russo Jaenisch
em
1842 e
que
mantém
até
hoje
sua
validade.
Sua
idéia
consiste
em
pressionar
d4
através
...Bg4, criando
com
isso
um
agudo
jogo
de
peças.
8
Te1
Bg4 9 c3!?
É interessante
observar
que
entre
o
método
Moderno,
agressivo
e
tático,
9 c4, e o
método
Clássico,
9 c3,
tranqüilo
e posicional, o
monstro
de
silício,
ao
contrário
do
que
era
de se
esperar,
conduz o
jogo
para
o
terreno
estratégico
em
que
predominam
idéias
e
planos,
inerentes
à
natureza
humana.
9...f5 10 Db3 0-0 11 Cbd2 Ca5
Recomendação
de Botvinnik,
que
previa 12 Da4 Cc6.
12 Dc2 Cc6
Antes,
Adams optara
por
12...c5 13 Ce5 Bh5 14 f3 Bh4 15 fxe4 Bxe1 16 exf5 c4 17
Bf1 Bxd2 18 Bxd2 Cc6 19
Te1
Dc8 20 h3 Txf5 21 g4 Cxe5 22 dxe5 Txf1+ 23 Txf1 Bg6 24 Dd1
Dc5+ 25 Tf2
Te8
26 Bf4 Bd3 27 Df3 Be4, ½-½. Morozevich x Adams,
Candidatos
2002.
13 b4 a6 14 Tb1! N
(diag. 1)

O
intento da Hydra é
colocar
em
jogo a
torre de a1,
diferente do
que
fora jogado: 14 a4 Bd6 15 Tb1
Te8 16 b5 axb5 17 axb5 Ca5,
com
um
jogo
dinâmico e equilibrado, ½-½
in 29. Leko x Adams, Linares 2005.
14...Bd6 15 h3 Bh5 16 b5!
As pretas preponderam no
centro e na
ala do
rei, restando às brancas essa
reação “lógica”
na
ala da
dama. E é essa “compreensão
posicional”
que denuncia a
constante,
irrefreável e avassaladora
evolução desses softs.
16...Ca5
O Fritz 8 examina 16...axb5 17 Txb5 Ca5 18 Cxe4 fxe4 19
Bxe4 dxe5 20 Txh5 g6 21 Txa5 Txa5 22 Dxe4,
com
leve
superioridade das brancas, +0.28.
17 c4! dxc4 18 Cxc4 Cxc4
Claro, se 18...Bxf3? 19 Cxa5!
Bh5 29 Cxb7 etc.
19 Bxc4+ Rh8 20 bxa6!
Outra
vez inviabilizando 20...Bxf3?,
em
vista de 21 axb7 Tb8 22 gxf3,
ganhando, +2.50 F8.
20...bxa6 21 Ce5! (diag.
2)
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As
brancas têm uma
posição
preferível,
com
todas as
suas
peças
atuando a
pleno
e
objetivamente.
Daí
para
transformar
isso
em
vitória
é
outra
história.
21...c5!?
Adams é
obrigado
a
entrar
no
jogo
tático,
ou
seja, na verdadeira
praia
dessa
infalível
máquina
de
calcular.
22 Bd5 Tc8 23 Be6 Tc7
O Fritz sugere o heroismo de 23...cxd4!? 24
Dxc8 Dxc8 25 Bxc8 Txc8 26 Bf4 g5 27 Bh2 Tc2 28 f3,
com
um
índice
de
absoluta
igualdade,
=0.00.
24 Bxf5! Bxe5
Para
este
lance,
o F8
registra
+1.16
para
as brancas, e indica
como
melhor
24...Cf6 25 Bg5 cxd4 26 Dd3 Tc5 27 Dxd4 Dc7,
com
um
suportável
índice
de +0.75.
25 dxe5 Txf5
Se 25...Cxf2? 26 Dxf2 g6 27 g4, ganhando.
26 Dxe4 Bg6 27 Tb6! Tf8 28 De3
(diag. 3)

A
marcha
do “peão
de Keres” na coluna-e decide a
sorte
desta
partida.
28...Tcf7 29 Td6 Da5 30 e6!
Te7
31 Ba3!
Somente
agora,
no finalzinho da
partida,
esse
bispo
sai de
sua
capela
abençoar
a
vitoriosa
campanha
da
máquina
sobre
a
mente
humana.
31...Tfe8 32 Bxc5! Dxa2 33 Td2!. 1-0.
Hydra (0000) x (2737) M. Adams (3/m
Man-Machine, Londres, 23.06.2005 – Espanhola, C 91).
1 e4 e5 2 Cf3 Cc6 3 Bb5 a6 4
Ba4 Cf6 5 0-0 Be7 6
Te1
b5 7 Bb3 d6 8 c3 0-0 9 d4! Bg4 10 d5 Ca5 11 Bc2 c6 12 h3
Bc8 13 dxc6 Dc7 14 Cbd2 Dxc6 15 Cf1 Be6 16 Cg5 Bd8 17 Ce3
Bd7 18 a4 h6 19 Cf3 Tc8 20 axb5 axb5 21 Ch4 Cc4 22 Cxc4
bxc4 23 Ba4 Dc7 24 Bxd7 Dxd7 25 Cf5 d5 26 Ta6!
Db7 27 Td6! Be7 28
Bxh6!!, 1-0. Se 28...gxh6 29 Df3!! Ch5 20 Txh6 Bf6 31 Dg4+
Rh8 32 Dh5 Rg8 33 Txf6!+-.

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Estudos e problemas
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785 A
(F. Prokop,
Ceskoslovensky Sach 1932) 1 Tg5+ Rh6 2 Tg7 Bxd4 3
Cxd4 Dxd4 4 Bg5+! Rh4 5 Bf6! Dxf6 6 g4+ Rh6 7 g5+!
Dxg5 8 Th7#.
B
(W. Baird, Illustrated London News, 1896) 1
Dh3! Rf4 2 Ch2! Re4/Rg5
3 Df3/Dg4#; 1…Rd5 2 Df5+ Rd6/Rc4 3 Bf8/Cd2#.
0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0
A
Hidra
de Paderborn
Hélder
Câmara
A
espetacular
vitória
da
desconhecida
Hidra
no 13º International Computer Chess Championship (IPCCCA), 2004,
fev/11-15,
em
Paderborn, na Alemanha, superando consagrados ases e
campeões
mundiais
como
Fritz e Shredder, deixou
atônita
a “comunidade
cibernética”
não
apenas
por
esse
resultado
em
si,
mas
também
pela
facilidade
com
que
ele
foi obtido.
A
desconhecida
Hidra
concedeu
um
único
empate
(Shredder), perfazendo 6.5
pontos
em
7
possíveis,
exibindo
um
estilo
que
deixou confusos a
todos
os
especialistas
no
assunto,
relutantes
em
aceitar
uma
explosão
assim
–
fenômeno
tão
em
desacordo
com
a
vagarosa
e
gradativa
evolução
desses softs.
Mas
se examinarmos os
antecedentes
de
seus
programadores,
logo
entenderemos a
performance
magnífica
dessa
terrível
e
desconhecida
máquina.
Antes,
porém,
um
pouco
de
história...

De
acordo
com
a
Mitologia,
o
segundo
dos 12
trabalhos
de
Hércules
(Héracles) consistia
em
aniquilar
uma monstruosidade
que
aterrorizava a
região
de Lerna, na Argólida. Tratava-se da
Hidra,
uma
serpente
gigantesca
com
muitas
cabeças
(sete,
nove,
cem
ou
dez
mil
– dependendo da
imaginação
do
povo
de
cada
lugar),
extremamente
venenosa
e
mortal,
posto
que
não
havia
antídoto
para
o
seu
veneno.
Suas
cabeças
(entre
as
quais
uma
era
imortal)
quando
cortadas,
renasciam
em
dobro.
Por
isso,
Hércules
teve de se
valer
da
ajuda
de
seu
sobrinho
Iolau
que,
à
proporção
que
o
seu
tio
decepava
cada
cabeça
da
Hidra,
prontamente
a cauterizava
com
uma
tocha
ardente.
Quanto
à
cabeça
imortal,
Hércules
atirou-a num
buraco
profundo,
tapando-o
em
seguida
com
uma
enorme
pedra.
Durante
a
luta
com
a
Hidra,
o
semideus
Hércules
teve
ainda
que
se
desvencilhar
de
enorme
e
incômodo
caranguejo,
enviado
por
sua
madrasta
Juno (Hera)
para
lhe
atrapalhar.
Hércules
esmagou-o
com
os
pés
e Juno, arrependida da
desgraça
que
causara (ao
caranguejo...)
recolheu o
que
dele sobrou, transformando-o na
bela
e reconhecível
constelação
de
Câncer.
Hércules
tampouco
se descuidou da
oportunidade
de
embeber
suas
flechas
no
sangue
envenenado da
Hidra,
tornando-as
assim
terrivelmente
mortais.
Entre
outros
irmãozinhos da
Hidra,
anotavam-se Ostro,
Quimera
e Scylla. O
primeiro,
Ostro,
era
um
cão
com
várias
cabeças
e o
corpo
de
serpente,
muito
parecido
com
seu
outro
irmão,
Cérbero,
que
por
seu
turno
vigiava as
portas
do
Inferno
(Hades). Ostro teve a
infelicidade
de
ter
como
função
a
vigia
do
gado
de Gérion e tentou
impedir
o
décimo
trabalho
de
Hércules,
que
era
“roubar
os
bois
vermelhos
dos
enormes
rebanhos
de Gérion”.
Morreu de
porrada..
A
Quimera
tinha
a
cabeça
de
bode,
cauda
de
dragão
e vomitava
fogo.
Era
o
terror
da Lícia,
região
da Ásia
Menor,
e foi
morta
pelo
herói
grego
Belerofonte.
Scylla
era
uma
criatura
horrível,
com
12
pés
e 6
longos
pescoços
a
sustentar
em
cada
um
deles uma
cabeça
com
filas
de
dentes
mortais
com
os
quais
devorava
qualquer
vítima
que
pudesse
alcançar.
À
luz
da
psicanálise,
Hércules
e a
Hidra
representam a
mesma
simbologia da
eterna
luta
do
Bem
contra
o
Mal.
É o
perene
duelo
de
Luz
e
Sombra
que
encontramos
nos
combates
entre
Perseu e a
Medusa,
Teseu e o Minotauro, culminando
em
época
mais
recente
com
a
obra-prima
“O
Médico
e o
Monstro”,
de Robert Louis Stevenson –
conflito
em
que
se expõe a
fragilidade
da
natureza
humana
e a desesperada
luta
que
travamos
conosco
mesmos
para
manter
sob
controle
o
perigoso
e
incognoscível
lado
obscuro
de
nossa
alma.
Segundo |