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Kramnik x Topalov
Com
o
início
do “match da reunificação”
entre
os
campeões
mundiais Vladimir Kramnik e Veselin Topalov, o
primeiro
de
fato
e o
segundo
da Fide, parece encerrar-se
um
imbróglio
que
já
se arrastava
por
13
anos
longos
e
penosos.
Parece,
apenas
parece. Fica faltando a participação do
melhor
jogador
do
mundo,
Garry Kasparov, e
um
possível
e
autêntico
desafiante,
classificado,
como
nos
áureos
tempos,
após uma
árdua
e
ferrenha
campanha
em
que
tivesse de
derrotar
os
mais
categorizados
adversários.
Ao
contrário
do
lendário
Bobby Fischer,
que
semeou a
inédita
e
rendosa
importância
do
xadrez
no
cenário
esportivo
internacional,
para
que
depois
um
“chupim
com
um
dente
de
ouro”
fosse
colher
uma
parte
de
seus
frutos,
Kasparov
não
conseguiu
sensibilizar
patrocinadores
capazes
de
aplacar
sua
sede
monetária.
E
muito
menos
admitiu
que
uma
entidade
(a Fide, no
caso)
cafetinasse
entre
10 e 20% a
renda
de
seu
trabalho.
Daí
por
que,
desde
1993, temos reconhecidamente o
melhor
jogador
do
mundo
(Kasparov),
mas
sem
o
título
oficial
que
por
direito
devia
lhe
pertencer.
Hoje,
com
o afastamento de Kasparov, o
título
que
está
em
jogo
nesse “match da reunificação” desperta
menos
interesse
do
que
o
próximo
“match
Homem
x
Máquina”,
a se
ferir
em
novembro,
em
Bonn, na Alemanha,
entre
Kramnik e Deep Fritz,
com
uma
bolsa
de 1
milhão
de dólares.
Em
agosto,
o
presidente
da Fide, Kirsan Ilyumzhinov, concedeu uma
entrevista
ao
jornal
russo Sport Express
relativa
a
esse
“match da reunificação”, da
qual
destacamos
alguns
tópicos
curiosos,
com
ingredientes
de
filme
de
mistério
e
suspense,
com
fortes
laivos
de
baixaria,
que
podem
servir
para uma
avaliação do
grau
de
civilidade
do mesmo.
Indagado
sobre
a
prevenção
do
auxílio
ilegal
de
computadores,
Kirsan garantiu
que
“além
dos tradicionais
detectores
de
metais
e da
proibição
de
telefones
celulares,
será acionado
um
equipamento
especial
capaz
de
criar
um
vazio
eletrônico
em
torno
da
sala
de
jogo.
Tais
medidas
serão
adotadas
para
evitar
que
alguém
se comunique
com
os
jogadores
durante
as
partidas”.
Vejam
só
a
que
nível
desceu o
xadrez
magistral.
Como
se sabe, essa
medida
visa
impedir
o sucedido
em
San Luis, na Argentina,
quando
foram
feitas
diversas
denúncias
sobre
o
comportamento
de Topalov,
que
passava
mais
tempo
olhando
para a
platéia
(onde
estavam
seus
assessores)
do
que
para o
tabuleiro
em
que
disputava
sua
partida,
e
que
a inepta
direção
revelou-se
incapaz
de
tomar
qualquer
providência
nesse
sentido.
Uma das
medidas
seria a de colocá-lo no
rodízio
de
mesas,
como
cabia a
todos
os participantes.
Com
relação
a
Imprensa,
Espectadores
e
Convidados,
o
presidente
da Fide salientou o
credenciamento
de
mais
de uma
centena
de
jornalistas.
Contratou
vários
expertos
em
percepção
extra-sensorial,
uma
vez
que
“meus
informantes disseram-me
exatamente
qual
equipe
os empregará,
mas
também
me
asseguraram de
que
esses
paranormais
estarão
presentes
entre
os
espectadores.
Há
quem
garanta
que
tais
pessoas
(que
eu
chamo de
feiticeiros)
podem
influir
sobre
um
dos
jogadores,
impedindo-o de concentrar-se.
Particularmente,
eu
não
creio
em
tais
contos
de
fada,
já
que
durante
as
eleições
de 2002, na Kalmikia,
meu
oponente
teve a
ajuda
de
alguns
deles,
sem
nenhum
êxito.
Cada
um
dos participantes pode se
fazer
acompanhar
de
até
dez
pessoas.
Se
entre
esse
pessoal
houver
algum
feiticeiro,
ele
será
igualmente
credenciado”.
Como
se percebe, Kirsan
mistura
uma
coisa e
outra.
Não
há nenhuma
relação
entre
influência
extra-sensorial
sobre
um
jogador
pensando
durante
uma
partida
de
xadrez
e o
mesmo
aplicativo
sobre
um
político
em
campanha.
Assim,
ele
nos
lembra a
história
de
um
gajo
explicando a
outro
gajo
o
maravilhoso
invento
da
máquina
de fotografaire. E
para
melhor
explicar
o
que
falava, indagou:
-- Conheces a
máquina
de escreveire?
-- Conheço,
sim,
pois,
pois...
--
Pois é
completamente
dif’rente!
0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o
|
Equipe de Vladimir
Kramnik: |
1. Vladimir Kramnik, russo (jogador);
2. Carsten Hensel,
alemão (agente);
3. Miguel Ilescas,
espanhol
(segundo);
4. Alexander Motylev, russo (segundo);
5. Sergei Rublevsky, russo (segundo);
6. Valeri Krylov, russo (fisioterapeuta); 7. Victor Bobylev,
russo (cozinheiro)=
7
pessoas.
A
inclusão
de Illescas
entre
os
segundos
de Kramnik justifica-se
por
sua
extrema
capacidade
no
uso
do
computador.
E
quem
teve
notícia
da insidiosa
enfermidade
de foi (e
ainda
é)
vítima
o
campeão
Kramnik, comprende
perfeitamente
a
inclusão
em
sua
equipe
de Krylov e Bobylev.
|
Equipe de Veselin
Topalov: |
1. Veselin Topalov,
búlgaro (jogador);
2. Sílvio Danailov, búlgaro (agente);
3. Ivan Cheparinov, búlgaro (segundo);
4. Aleksander Onischuk,
ianque
(segundo);
5. Paco Vallejo,
espanhol
(segundo);
6. Vladimir Rapondzhiev, búlgaro (membro);
7. Raicho Ivanov, búlgaro (membro);
8. Dragomir Georgiev, búlgaro (membro);
9. Zhivko Ginchev, Bulgária (membro);
10. Dancho Djongov, búlgaro (membro)=
10
pessoas.
Entre
esses
cinco
últimos
nomeados, o
difícil
mesmo
é
saber
que
é
pai-de-santo,
benzedor, tranca-rua, ogum sete-ondas, calunga-maior
ou
omulu.
0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o
Programa:
|
21 de
setembro
de 2006 - 19:00 |
Abertura |
|
22 de
setembro
de 2006 |
Dia
de
descanso
|
|
23 de
setembro
de 2006 - 15:00 |
Partida
1 |
|
24 de
setembro
de 2006 - 15:00 |
Partida
2 |
|
25 de
setembro
de 2006 |
Dia
de
descanso
|
|
26 de
setembro
de 2006 - 15:00 |
Partida
3 |
|
27 de
setembro
de 2006 - 15:00 |
Partida
4 |
|
28 de
setembro
de 2006 |
Dia
de
descanso
|
|
29 de
setembro
de 2006 - 15:00 |
Partida
5 |
|
30 de
setembro
de 2006 - 15:00 |
Partida
6 |
|
01 de
outubro
de 2006 |
Troca
de
cores
e
descanso
|
|
02 de
outubro
de 2006 - 15:00 |
Partida
7 |
|
03 de
outubro
de 2006 - 15:00 |
Partida
8 |
|
04 de
outubro
de 2006 |
Dia
de
descanso
|
|
05 de
outubro
de 2006 - 15:00 |
Partida
9 |
|
06 de
outubro
de 2006 - 15:00 |
Partida
10 |
|
07 de
outubro
de 2006 |
Dia
de
descanso
|
|
08 de
outubro
de 2006 - 15:00 |
Partida
11 |
|
09 de
outubro
de 2006 |
Dia
de
descanso
|
|
10 de
outubro
de 2006 - 15:00 |
Partida
12 |
|
11 de
outubro
de 2006 |
Dia
de
descanso
|
|
12 de
outubro
de 2006 - 15:00 |
Desempates |
|
13 de
outubro
de 2006 - 19:00 |
Encerramento |
Cada
jogador
receberá da Fide U$ 500.000 dólares, podendo
receber
adicionais
de
possíveis
patrocínios
comerciais
As
partidas
serão
jogadas
sob
o
sistema
clássico
de
controle
de
tempo,
sendo 120 min.
para os
primeiros
40
lances,
mais
60 min.
para os
imediatos 20
lances
(40 + 20 = 60) e 15 min.
para o
restante da
partida,
agora
com
30 seg.
adicionais
para
cada
jogada,
a
partir
do 61º
lance.
Em
possível
tiebreak,
serão
disputados 4
jogos
de
xadrez
rápido
(25 min. + 10 seg.
por
lance
executado).
Em
caso
de
novo
empate,
2
jogos
de
blitz
(5 min + 10 seg. p/
lance)
e, persistindo o
empate,
então
surge a
famigerada
da
morte
súbita,
quando
um
jogador
com
as pretas fica
com
5 min. e o
jogador
com
as brancas dispõe de 6
minutos...
e a
obrigação
de
vencer a
partida,
pois
em
caso
de
empate
será
ele
o derrotado.
|