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O
ano
de 2006
tinha
tudo
para se
transformar
num
marco
histórico
do
xadrez
internacional,
com
a
realização
da
Olimpíada de
Turim e,
principalmente,
com
o “match da reunificação”
entre
Kramnik e Topalov. E o
que
se viu?
Um
desastre.
Em
Turim, na Itália, reaproveitaram
um
pavilhão
de
feira
e o transformaram num
imenso
galpão,
onde
as rezes, quero
dizer,
onde
os
jogadores
eram emparceirados
para
cometer
suas
capivaradas.
Um
cuidado,
porém,
há de se
ressaltar:
visando a boa
forma
física
dos participantes, o
hotel
onde
se hospedavam as
delegações
de
quase
todos
os
países
ficava a uma boa
distância
do
local
dos
jogos,
e
sem
condução
adequada
ou
disponível,
a
maioria
tinha
de
fazer o
percurso Hotel-Galpão e Galpão-Hotel a
pé.
Donde se infere a
preocupação
dos
dirigentes
daquele
país
com
a
forma
física
dos
seus
visitantes.
Muito
salutar.
Molto.
Em
compensação,
restava
ainda
o match
espetacular
entre
o
verdadeiro
campeão
mundial, Vladimir Kramnik,
que
arrebatara o
título
máximo
das
mãos
do
melhor
jogador
do
mundo,
Garry Kasparov, e o
mais
recente
titulado da Fide, Veselin Topalov
–
que
os
mais
espertos
costuman
denominar
como
o “campeão
de
plantão
da Fide” (vale
a
pena
verificar
que
na
última
lista de
rating da Fide,
janeiro
de 2007,
um
desses
campeões
da Fide, Alexander Khalifman, encontra-se “classificado”
na 100ª
posição,
com
tímidos
2619 pontos-ELO!).
O
local?
A
capital
mundial do
xadrez,
Elista, na
República
Autônoma
da Kalmíquia,
cujo
presidente
também
o é da Fide, Kirsan Ilyumzhinov.
Como
se presume,
pelo
menos
dessa
vez,
nada
podia
sair errado.
Todas as
atenções
do
mundo
se voltavam
para essa
magnífica
festa
que
vinha
sendo adiada
desde
a
cizânia
Kasparov x Fide,
em
1993.
Resultado:
depois
de
apenas
quatro
partidas,
com
o
alarmante
escore
de 3x1
em
favor de
Kramnik, o
staff
do
adversário
entrou
em
polvorosa e
resolveu
montar o
maior
barraco,
acusando o russo de se
valer de
auxílio
eletrônico
para
conseguir
aquela
absurda
vantagem.
Há
um
ditado
antigo,
garantindo
que
“Quem
disso
usa,
disso cuida”.
Ora,
quem
nunca
usou
um
“ponto
eletrônico”,
ou
seja,
quem
nunca
se valeu do
irregular
auxílio
de
um
soft de
xadrez
durante
uma
partida,
jamais
iria
supor de
que
o
seu
adversário
estivesse se valendo desse condenável
recurso.
E o
que
é
mais
sugestivo,
o búlgaro
já
fora
acusado
extra-oficialmente
várias
vezes
da
prática
desse
expediente,
em
especial
durante
o
torneio
que
o consagrou
em
San Luis, na Argentina, sendo
que
os
dirigentes
daquele
importante
evento
não
tomaram nenhuma
providência
a
esse
respeito,
como
era
de
esperar,
nem
que
fosse
apenas
para
apurar se
tal
denúncia
procedia
ou
não.
É
possível
que
naquela
ocasião,
ao
invés
do
objetivo
tango
“Desconfiale” (El
desconfiar
es cosa necesaria
para
enfrentar
los tiempos
que
corremos; no
desconfiar
es cosa de
inocentes,
hoy
que
a
granel
se asoman los
piratas...)
estivessem
eles
anestesiados
pela
permissividade do
bolero
“Que
murmuren” (Que
murmuren, no
me
importa
que
murmuren, no
me
importa lo
que
digan ni lo
que
piensa la
gente...)
A
verdade é
que
depois
da quizumba originada
pela
escandalosa
denúncia
oferecida
pelo
séqüito de
deslumbrados (que
audácia!
um
pa-vor...)
que
compunha a
comitiva
de Topalov,
até
um
bordel
de
quinta
categoria
mereceria
mais
respeito
do
que
aquele
arremedo de
match
válido
pelo
título
mundial. Daí
nosso
desistência
em
continuar
comentando as
partidas
restantes,
que
só
serviriam (como
serviram) para
legitimar
aquela
deplorável
pantomima.
Para se
ter uma
idéia
da
calamidade
ocorrida,
até
Karpov declarou
que
abandonaria o match,
depois
da
denúncia
de
irregularidade
que
Kramnik estaria praticando.
Até
Karpov (*),
por
aí
vocês
podem
imaginar
quão
grotesca
foi a
farsa,
o
esbulho,
a
esculhambação.

Apenas
reafirmando o
que
já
dissemos: Kramnik
gosta
de
mulher.
Para
salvar (?) o
ano,
a Superfinal do 59º
Campeonato
da Rússia serviu
como
vitrina
para
exibir os
novos
valores
da Meca do
xadrez.
Dos 12 superfinalistas,
nove
deles nasceram
depois
de 1980. Vejam a
lista
por
ordem
de classificação
final:
59º
Campeonato
da Rússia, Moscou,
dez/2006:
1/2. Evgeny Alekseev
(1985 GM 2661) 7.5 / 11
Dmitry Jakovenko
(1983 GM 2691) 7.5
3. Ernesto
Inarkiev
(1985 GM 2669) 7.0
4. Peter Svidler
(1976 GM 2728) 6.5
5/7. Sergey Rublevsky
(1974 GM 2667) 5.5
Ildar Khairullin
(1990
MI
2586) 5.5
Evgeny Tomashevsky (1987 GM
2624) 5.5
8/10. Sergey Grigoriants
(1983 GM 2592) 5.0
Ian Nepomniachtchi
(1990
MI
2587) 5.0
Denis Khismatullin
(1984 GM 2599) 5.0
11.
Nikita Vitiugov
(1987 GM 2604) 3.5
12. Evgeny Najer
(1977 GM 2605) 2.5
E é do
mais
jovem
deles, Ian Nepomniachtchi, a
partida
contra
o
campeão
russo de 2005, Sergey Rublevsky,
que
analisamos no
Círculo
16.

I. Nepomniachtchi
S.
Rublevsky
(*)
Karpov foi o
jogador
que
mais
se beneficiou
desde
1993
com
os
casuísmos
perpetrados
pela
Fide dirigida a manu militari
por
seu
atual
presidente
(HC).

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