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Entrevista
de Julio Granda concedida ao
jornal
chileno “Las Últimas Noticias”
O grande-mestre
peruano ganhou
facilmente a
Copa Entel
A
incrível
história de
Granda, o exêntrico
gênio do
xadrez
O
talentoso
enxadrista é
um
tipo
simples,
que vive da
agricultura,
ama o
futebol de
salão e voltou aos
tabuleiros,
após uma
ausência de
quatro
anos,
apenas
para
saldar algumas
dívidas.
Julio Ernesto Granda Zuñiga é uma
espécie de
lenda no
Peru:
candidato a
prefeito
que renunciou
antes das
eleições,
receptor de uma
mensagem
divina e,
principalmente,
agricultor, o grande-mestre de
xadrez é
protagonista de muitas
histórias, algumas delas fictícias,
mas outras
reais,
que
ele
mesmo se encarrega de
contar.
Tem 37
anos e
ontem laureou-se
como
campeão da
Copa Entel,
primeiro
torneio dessa
categoria organizado
em
nosso
país
desde 1987,
com
incrível
facilidade.
Mas
isso é
somente
um
detalhe
em
sua
vida,
que,
embora
não seja
longa
em
anos, é
cheia de
contos
que parecem
impossíveis de
acontecer,
quase míticos.
“Aprendi
a
jogar
antes
de
ir
ao
colégio.
Eu
tinha
5
anos
e vivíamos
em
Camaná, ao
sul
do
Peru.
Foi
em
1972,
quando,
à
raiz
da
expectativa
gerada
pelo
match
entre
Bobby Fischer e Boris Spassky (Campeonato
Mundial
em
Reykjavik, 1972),
meu
pai
lembrou-se de
que
sabia
jogar
xadrez
e
nos
ensinou, a
mim
e aos
meus
irmãos
homens.
Eu
era
o
caçula
e joguei
com
meus
irmãos
até
que
eu
comecei a
lhes
vencer.
Depois,
ele
se sentiram humilhados
por
isso
e pararam de
jogar”
–
ele
conta, recordando-se dos
campos e
ruas dessa
antiga
cidade colonial
próxima de Arequipa.
Aos 9
anos jogou
seu
primeiro
torneio
nacional de
adultos,
em
Lima, e
desde
então a
sua
ascensão foi
contínua. Chegou a
estar na 25ª
colocação do ranking mundial, jogou
excelentes
torneios
memoriais na Holanda, New York e
Cuba e
em 1986 enfrentou a Garry Kasparov,
o
melhor
jogador do
mundo. Granda
não
guarda boas recordações desse
encontro:
“Ele
me
ganhou facilmente,
mas
a
par
disso, justificou
seu
apelido
de
ogro.
Foi
bastante
mal-educado,
não
me
dirigiu
palavra
e
quando
eu
movia uma
peça,
ele
fazia
gestos
depreciativos.
Mas
ele
é provavelmente o
jogador
mais
forte
da
história”
– reconhece com fidalguia o
peruano,
um dos
quatro
melhores
enxadristas da América
Latina.
A
vida ensinou a
esse
homem
que de
tudo se pode
aprender.
Por
isso,
ele resgata
lições
até de
sua
fugaz
passagem
pela
política,
que o levou a
abandonar
por uns
tempos o
xadrez.
“Em
1998 ofereceram-se uma
candidatura
para
prefeito
de Camaná, o
que
me
pareceu
um
disparate.
De
início,
eu
a aceitei,
mas
mais
tarde
eu
renunciei dela
antes
das
eleições.
Não
era
o
que
eu
queria. A
política
é uma
farsa:
era
um
movimento
independente,
mas
manejado
por
gente
de Fujimori” – recorda Granda,
um
tipo
simples,
que
ama o
futebol de
salão
mais do
que o
xadrez e
não sabe
usar
computador.
Sua
volta ao
xadrez, essa
sim, demorou
quatro
anos,
por
culpa do
episódio
mais
inexplicável de
sua
vida:
“Eu
estava no
campo,
em
Camaná, e subitamente uma
noite,
sozinho,
comecei a
caminhar.
Subi
um
monte,
encontrei
um
semi-túnel e comecei a galgá-lo,
mas
a
encosta
se desfazia
quando
eu
a tocava, transformando-se
em
pó.
Isso
mudou
minha
vida”.
--
Que
relação tem
isso
com
você
deixar o
xadrez?
-- É
que
eu
tomei
isso
como
um
chamado de
Deus,
deixei o
xadrez
para
acercar-me de
Deus.
A
partir
daí, dediquei-me
somente
a
agricultura.
Por
isso,
todo
o
mundo
passou a
dizer
que
eu
estava
louco,
delirando,
com
problemas
mentais”.
O místico
retiro de Granda terminou faz
alguns meses,
quando uma má
colheita deixou-o
com alguma
dívidas.
“Incomoda-me
muitíssimo
ficar
devendo. E nesse
contexto,
propuseram-me
jogar
o
Campeonato
Nacional
sob
certas
condições
que,
de alguma
maneira,
aliviavam a
minha
situação
econômica.
Ganhei
esse
torneio
e
então
continuei jogando,
mas
eu
não
voltei a
me
dedicar
somente
ao
xadrez.
Eu
sou
um
homem
do
campo
e necessito
estar
em
Camaná,
com
o
meu
campo
e
com
a
minha
família”.
--
Não
lhe voltou o
gosto
pela competição?
-- Na
realidade,
sempre
gostei de
jogar,
por
que
para
mim
é
algo
natural
e
muito
cômodo.
Eu
nem
sequer
preparo
as
partidas
que
vou
jogar,
escolho
o
que
vou
jogar
na
hora.
--
Assim
como
em
muitos
esportes, a
paixão move
aqueles
que o praticam:
que
satisfação
lhe dá o
xadrez?
-- O
xadrez
é
um
jogo
que
não
te
dá muitas
satisfações,
por
que
quando
ganhas,
não
provas
de nenhuma
alegria
especial;
e
quando
perdes, é
como
morrer
um
pouco,
porquanto
estás reconhecendo
que
o
teu
adversário
pensa
melhor
do
que
tu.
Praticamente
não
há o
azar:
tudo
é
muito
intelectual,
frio,
sem
paixão.
(Rodrigo Orellana
– Las Últimas Noticias, 29 de
março de 2004)

GM Júlio Ernesto Granda
Zuñiga, vencedor da
Copa
Entel 2004
|
Copa
ENTEL 2004 - 22 al 29 de Marzo |
|
|
|
|
Elo |
FED |
1 |
2 |
3 |
4 |
5 |
6 |
7 |
8 |
9 |
10 |
11 |
12 |
Tot |
SB |
Perf. |
Exp |
|
1 |
GM Granda,Julio |
2581 |
 |
|
1 |
½ |
1 |
½ |
1 |
½ |
1 |
1 |
1 |
1 |
1 |
9.5 |
|
2749 |
7.59 |
|
2 |
GM Leitao,Rafael |
2566 |
 |
0 |
|
1 |
½ |
1 |
1 |
1 |
0 |
1 |
½ |
1 |
1 |
8.0 |
|
2621 |
7.37 |
|
3 |
GM
Vasquez,Rodrigo |
2523
|
 |
½ |
0 |
|
½ |
½ |
1 |
1 |
½ |
1 |
1 |
½ |
1 |
7.5 |
35.25 |
2579 |
6.60 |
|
4 |
GM Rodriguez,Andres |
2485
|
 |
0 |
½ |
½ |
|
1 |
½ |
1 |
½ |
1 |
½ |
1 |
1 |
7.5 |
34.75 |
2582 |
6.05 |
|
5 |
MI
Zambrana,Osvaldo |
2463
|
 |
½ |
0 |
½ |
0 |
|
½ |
0 |
1 |
1 |
1 |
1 |
1 |
6.5 |
|
2516 |
5.61 |
|
6 |
MI
Cubas,Jose |
2394
|
 |
0 |
0 |
0 |
½ |
½ |
|
½ |
1 |
1 |
½ |
½ |
1 |
5.5 |
|
2457 |
4.40 |
|
7 |
GM Panno, Oscar |
2470
|
 |
½ |
0 |
0 |
0 |
1 |
½ |
|
½ |
½ |
1 |
1 |
0 |
5.0 |
|
2414 |
5.72 |
|
8 |
MI
Valenzuela, Luis |
2418
|
 |
0 |
1 |
½ |
½ |
0 |
0 |
½ |
|
0 |
½ |
½ |
1 |
4.5 |
22.75 |
2390 |
4.84 |
|
9 |
MI
Rojas, Luis |
2408
|
 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
½ |
1 |
|
1 |
1 |
1 |
4.5 |
14.50 |
2391 |
4.73 |
|
10 |
MF Llorens,
Marcelo |
2384
|
 |
0 |
½ |
0 |
½ |
0 |
½ |
0 |
½ |
0 |
|
½ |
½ |
3.0 |
|
2282 |
4.29 |
|
11 |
Arancibia,
Eduardo |
2405
|
 |
0 |
0 |
½ |
0 |
0 |
½ |
0 |
½ |
0 |
½ |
|
½ |
2.5 |
|
2245 |
4.62 |
|
12 |
MF Velasquez,
Cesar |
2359
|
 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
1 |
0 |
0 |
½ |
½ |
|
2.0 | |