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Zuñiga
– o
condor
dos andes
peruanos
Seu
nome de
referência é
bastante
singelo e dá a
impressão de
um
popular
cantor de
boleros: Júlio Granda;
completo,
porém,
com
todos os
efes e
erres, torna-se
pomposo e parece
designar
um
ilustre
embaixador: Júlio Ernesto Granda
Zuñiga!
Na
realidade,
ele
não é nenhuma
coisa
nem
outra,
mas
sim
um
novo
ás do
xadrez
que, aos 19
anos de
idade, acaba de proclamar-se o
mais
jovem grande-mestre do
continente
americano.
Nascido
em
Lima (Peru),
no
dia 25 de
fevereiro de 1967, Zuñiga demonstrou
desde
cedo uma
extraordinária
vocação enxadrística e, aos 12
anos, alcançou o
seu
primeiro
destaque
internacional ao
vencer no México o
Campeonato Mundial
Infantil –
certame
que, na
época,
não
era chancelado
pela FIDE,
mas
já servia de
umbral de
futuros ases do
tabuleiro.
Dois
anos
depois,
em
janeiro de 1982,
ele começou a
confirmar os
prognósticos a
seu
respeito, ao situar-se
em 1º
lugar, ao
lado do islandês Karl Thorsteins, no
malogrado
Torneio “Peão
de
Ouro”,
levado a
efeito no
Rio de
Janeiro.
Com
tão
promissores
antecedentes,
não foi
surpresa a
sua
esplêndida
atuação no 9º
Campeonato
Pan-Americano
Juvenil realizado
em 1984 na
cidade de
Lima: jogando “em
casa”,
com
toda a
torcida a
seu
favor, Zuñiga correspondeu
plenamente às
expectativas, sagrando-se
campeão
invicto e passando automaticamente
para o
rol dos
mestres
internacionais. O
peso desse
título,
entretanto, se fez
sentir
em
sua
carreira e ocorreram
então
alguns
tropeços
que
não fizeram
justiça ao
seu
notável
talento.
Superado
esse
entrave
psicológico,
vulgarmente denominado de “titulitis”
(enfermidade
que
afeta o
jogador
após a
obtenção de
um
título
magistral, dando
margem a uma
série de
resultados
negativos), Zuñiga voltou a
fazer as
pazes
com o
sucesso e passou a
dirigir os
seus
esforços e
atenções
para
vôos
mais
altos.
A
fim de
aperfeiçoar a
sua
técnica,
melhorar os
seus
conhecimentos e
aumentar a
sua
experiência,
ele fez
em 1985 uma
proveitosa
excursão à Europa, participando de
diversas competições,
principalmente nas acolhedoras
terras espanholas.
Neste
ponto, abrimos
um
parêntese
para
esclarecer
que,
em
suas
atividades desportivas, Zuñiga vem
sendo patrocinado
pela “COFIDE” – Corporación
Financiera de Desarollo –
que é o
principal
organismo econômico-financeiro do
governo
peruano.
Cumprida a
temporada européia,
ele voltou as
suas
vistas
para a
obtenção do
título de grande-mestre, procurando
pôr
em
prática
todo o
cabedal acumulado e agindo
com
firme
determinação e
espartana
disciplina
para
atingir
esse
objetivo.
Mesmo
com
todos
esses
cuidados e
preparativos,
nada fazia
supor
que os
frutos dessa
orientação fossem colhidos de
forma
tão
rápida e consagradora.
Novamente as
plagas cubanas
que foram
tão benfazejas
para o
ás
colombiano Alonso Zapata,
revelaram-se
igualmente benéficas
para Zuñiga. Deste
modo, no
começo deste
ano, na
secular
cidade de Bayamo, ao
ensejo do 7º
Torneio
Internacional Carlos Céspedes,
este
jovem
valor
peruano voltou a
brilhar, classificando-se
em 1º
lugar,
invicto,
com 10
pontos
em 13
possíveis, distanciado
dois
pontos do bi-campeão
brasileiro Gilberto Milos e do grande-mestre
cubano
Amador Rodriguez.
Com
esse
magnífico
triunfo, Zuñiga deu o
primeiro
passo
para a
conquista do
título de grande-mestre.
Nada indicava,
contudo,
que
ainda neste
primeiro
semestre de 1986,
ele viesse a
bisar
esse
brilhante
feito e
completar
em
caráter
definitivo os
requisitos
necessários
para a
obtenção dessa
láurea.
Estava
escrito nas
estrelas,
porém,
que os
ares cubanos ser-lhe-iam
extremamente
favoráveis e, no
recente
Torneio
Memorial Capablanca, realizado
em La Habana no
período de 22 de
maio a 5 de
junho, Zuñiga foi a
grande
sensação, dividindo a 1ª
colocação
com o grande-mestre argentino Carlos
Garcia Palermo e, o
que é
mais
importante, totalizando os 9
pontos exigidos
para a
norma de grande-mestre!
Assim, aos 19
anos, Júlio Ernesto Granda Zuñiga
obtém
com
todos os
méritos o
título de grande-mestre e
passa a
ser o
terceiro
peruano a
ter o
privilégio de
ostentar
esse
galardão: o
primeiro foi o falecido “monstro
sagrado” Esteban
Canal,
enquanto
que o
segundo é o
conhecido “peleador” Orestes
Rodriguez, há
algum
tempo radicado na Espanha.
Esse
êxito de Zuñiga é
motivo de
orgulho e
júbilo de
todo o
enxadrismo
sul-americano, ao
mesmo
tempo
que se constitui num
expressivo
exemplo de
força de
vontade,
determinação e
talento,
merecedor de
todos os
aplausos e
digno de
ser imitado
por
todos
aqueles
que aspiram
alcançar
semelhante
reconhecimento!
(Ronald
Câmara, in
Diário do
Nordeste de 29.06.1986)

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