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Ana Matnadze em
Barcelona
A combativa e corajosa musa de nossa site, GM georgiana Ana
Matnadze, enviou-nos far-to material sobre sua estada em
Barcelona, na Espanha, cidade que prestigia o xadrez femini-no e
que devia ser referência e modelo para todas as cidades realmente
interessadas na verda-deira emancipação da mulher em nossa
preconceituosa sociedade. A seguir, suas impressões sobre essa
significativa e exemplar visita.

Ana e a Catedral da Sagrada Família em Barcelona
Visita relâmpago a Barcelona: jornadas
para refletir
15.12.2005. Estava prevista para os dias 26 e 27 de novembro a
celebração de umas maravilhosas jornadas intituladas “Mulher &
Xadrez”, que se deviam realizar em Esplugues de Llobregat, em
Barcelona.
No mês de setembro, a organização dessas jornadas aproveitou minha
participação no Torneio de Sants para convidar-me a intervir
nessas atividades que se iam realizar. Desde o início, tinha uma
impressão muito favorável sobre essas jornadas, tanto pelo
impecável entusiasmo e profissionalismo de seus organizadores e de
todas as pessoas envolvidas nesse sedutor projeto, como também
(devo confessar) pela grande paixão que sinto, já faz muito tempo,
por esse país, sua cultura, sua gente... Dessa maneira, é claro,
não hesitei em aceitar esse convite com o maior prazer e logo
contatei-me com a sempre amável e minha preferida companhia aérea
KLM e no dia 23 de novembro, pela madrugada, fiz a viagem que me
traria às minhas queridas terras de Barcelona.

Local das jornadas enxadrísticas DONA I ESCACS
Sem dúvida, o dia-a-dia que experimentei durante essas jornadas
superaram amplamente a expectativa que eu tinha a princípio.
Estabeleceram-se muitos debates, com a finalidade de localizar
problemas e buscar soluções. Aliás, devo admitir que esse é um bom
caminho. Nessas jornadas, foi notável o enorme interesse e
entusiasmo demonstrados por parte de todas as pessoas que
intervieram na busca de soluções e melhoras para o mundo do
xadrez. Debater é importante e necessário para tentar solucionar
os problemas que temos atualmente. E se para essas buscas nunca é
tarde, devemos atuar com presteza. E eu convido a todos vocês para
seguir com atenção os passos dessa gente e que cada um, dentro de
suas possibilidades, colabore como possa. Dessa maneira, se cada
um contribuir com o que puder, no intuito de ajudar, e se cada um
de nós colocarmos o nosso pequenino grão de areia de nossa
contribuição, então o mundo será muito melhor.

Ana jogando uma sessão de partidas simultâneas
As jornadas iniciaram-se com as apresentações feitas pelo
Instituto Catalão das Mulheres, o Conselho Catalão de Desporte, a
Federação Catalã de Xadrez e o Clube de Xadrez Peão e Peona.
Seguiram-se diferentes atividades e conferências, com intervenções
de todo tipo, tanto de expertos em Sociologia, Antropologia,
Pedagogia, Investigação, Psicologia, assim como também de
treinadores da Seleção Catalã de Voleibol Feminino e de Basquete,
a presidenta do Instituto Catalã das Mulheres, presidentes de
clubes de xadrez da Catalunya.
Houve ainda apresentações dos projetos “Escac a la Dama”, feitas
pelo presidente do Clube Peona i Peó, Pepe Melendres, y “Escacs
Per a Tothom”, por Jordi Prió, bem como também exibições de dados
estatísticos, exposições de fotografias, partidas simultâneas,
leitura dramatizada da obra teatral “Escac i Mat...?”, de Araceli
Bruch. Foi jogado o 2º Campeo-nato da Catalunha Feminino por
Equipes. Houve sessões de mesas redondas em que foram debatidos
temas como “A situação atual das mulheres desportistas”, na qual
eu participei com Carmen Lluveras (treinadora de basquete), Marc
Llinás (treinador da seleção de volibol) e Roser Rumí (presidenta
do Clube de Balaguer), tendo como moderadora a Sra. Marta Carranza,
Professora da UAB, coordenadora de programas educativos da IMEB.

Pep Melendres, Marta Amigó e Maria
José Bilbao
Na mesa redonda de domingo que tratava das “vias de atuação”,
estive com Toni Ayza, presidente da Federação Catalã de Xadrez,
Maria José Bilbao, do Gabinete Geral do Conselho Catalão do
Esporte, Joan Bártoli, da União de Conselhos Esportivos da
Catalunha, Marta Amigo, delegada do xadrez feminino da Federação
Catalã de Xadrez, Pep Melendres, presidente do Clube de Xadrez
Peão e Peona, a simpaticíssima Rula Fernández, que apresentou o
informe enviado por Elena Strikovic emitido pela Federação Gallega,
etc, etc... Ao finalizar esse tema, falamos da Organização
Internacional “Xadrez – Embaixador da Paz” (“Chess – a Peace
Ambassador”), da qual sou presidenta. Comentamos seus projetos e
por parte de todas as entidades e pessoas ali representadas houve
uma demonstração de grande interesse em co-laborar pelo bem do
xadrez feminino e do xadrez em geral. Tivemos também o prazer de
ver o filme realizado com várias entrevistas feitas com as
jogadoras que participaram do Torneio de Sants, em
agosto/setembro. Os autores desse filme deixaram-me gratamente
surpresa.

Ana tentando explicar o fenômeno das “maravilhosas georgianas”...
O público interveio em diversas ocasiões, o que ajudou bastante a
chegarmos a várias conclusões. Surpreendeu-me também gratamente o
esforço e o notável trabalho feito por Jor-di Capellades,
secretário do Clube Peão e Peona; Cati Gómez, pedagoga e
investigadora e, como não, a verdadeira Rainha das Montanhas (ela
sabe do que estou falando); Joan Girona, que se desdobrou para
atualizar a correspondência oficial das Jornadas; Pere Duran, que
além de de muitas outras coisas, com David desenvolveu um perfeito
papel de intérprete sincrônico de catalão e castelhano e que me
deu muito boas lições sobre Capitalismo (e me ficou devendo um
livro sobre o assunto, anotei), e muitas, muitas pessoas mais.
Tentei ser breve nessa reportagem, e acredito ter conseguido,
ainda que não pareça assim, mas a minha intenção era ser o mais
sucinta possível. Para meu pesar, os sites que publicam essas
impressões não são muitos, senão poderia continuar escrevendo e
não me cansaria e nem se esgotariam os temas que eu poderia
desenvolver.
Mas, paciência, tudo tem os seus prós e os seus contras, e é até
melhor deixá-los assim, intrigados. Mas devo dizer, em resumo, que
as jornadas foram um êxito total e projetam um futuro
impressionante. Nesses dois dias já prepararam todo um terreno
para as próximas edições. Novamente, muitíssimo obrigada à
Organização e a todos os que assistiram às Jornadas. Mil desculpas
ao que eu deixei de citar, não por que os tenha esquecido, mas por
que é praticamente impossível mencionar a todos, porquanto
numerosos. Tenham a certeza de que eu me lembro de todos vocês.
Despeço-me aqui até a próxima, pois não tenho dúvida de que haverá
muitas outras! E lhes deixo uma “breve” reportagem fotográfica.
Milhões de beijos, Ana.

Arquitetura barcelonense: poesia e saudade!

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