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No
auge
do
conflito
em
que
se transformou o
mais
célebre
match
pela
coroa
mundial do
xadrez
(Spassky x Fischer, Reikjawik 1972), o Dr. Max Euwe, ex-campeão
mundial e
então
presidente
da Fide, confidenciou a
um
amigo
que
no
seu
tempo
“não
existia
nada
disso,
não;
os
duelistas
eram,
antes
de
tudo,
exemplares
cavalheiros”.
Imaginem
agora
se Euwe (1901-1981) estivesse testemunhando a
baixaria
em
que
se converteu o match Kramnik x Topalov –
baixaria
essa promovida
única
e
exclusivamente
pelo
séqüito
de deslumbrados
que
compunham o
staff
do derrotado GM-A búlgaro.
Um
dos
integrantes
da
equipe
de Topalov
em
Elista (local
do
sinistro,
ou
melhor,
onde
se desenrolou o
recente
e
ridículo
duelo
pelo
título
mundial, patrocinado
pela
Fide),
jornalista
búlgaro Zhivko Ginchev, lançou na
véspera
da
partida
Topalov x Kramnik,
dia
26/01, no Supertorneio Corus A,
em
Wijk aan Zee, na Holanda,
um
explosivo,
escandaloso
e debochativo
livro,
intitulado “A
Guerra
do
Retrete
–
um
drama
em
13
atos”.
Nele,
entre
outras
gravuras,
a
fotografia
de uma
latrina,
devidamente
equipada
com
sofisticados
elementos
informáticos,
além
de uma
charge
representando a
tragicomédia
em
que
se transmudou essa
farsa:
de
um
lado,
o
assento
de Kramnik – uma
latrina;
do
outro,
uma
cadeira
normal
para
Topalov.

No
mesmo
dia
da
partida
Topalov x Kramnik, 27/01, o
jornalista
e
MI
alemão
Martin Breutigam publicou no
mais
importante
diário
da Alemanha, Süddeutsche Zeitung,
um
artigo
intitulado “Quando
o
dedo
polegar
se move na
boca”
–
cuja
tradução
mais
incisiva
e
direta
seria “Chupitando o
polegar”.
Martin fez o
que
os
bocós
não
fizeram no
torneio
de San Luis, na Argentina: acompanhou
atentamente
os
suspeitos
movimentos
do manager de Topalov,
MI
búlgaro Sílvio Danailov.
Durante
a
segunda
e
terceira
rodadas,
enquanto
centenas
de
espectadores
acompanhavam o
desenrolar
de todas as
partidas
nos
tabuleiros
murais,
Martin direcionava
sua
atenção
para
o
que
fazia na
platéia
o
polemista
manager (eu
não
falei massagista,
eu
falei manager) de Topalov.
E
ele
começa
o
seu
artigo
assim:
“Há
mais
de
um
ano,
ouvem-se os
rumores
de
que
o búlgaro Veselin Topalov, valendo-se de
medidas
proibidas, se sagrou
campeão
do
mundo,
em
San Luis.
Seu
representante Silvio Danailov
poderia
ter-lhe
comunicado
lances
provindos de
um
computador,
através
de
sinais
clandestinos
– de
acordo
com
alguns
dos participantes,
que
não
quiseram
ser
citados”.
Mas
nós
podemos
adiantar
tratar-se dos
jogadores
Rustam Kazimdzhanov (também
ex-campeão mundial num desses
ridículos
modelos
de WCC da Fide) e Alexander Morozevich.
Martin põe
em
questão
se essas
denúncias
poderiam
ser
apenas
“conspiração
de
maus
perdedores”
ou
se,
pelo
contrário,
tinham
fundamento
e Topalov
era
“beneficiado
durante
algumas
partidas
de
maneira
despercebida”.
Neste
último
caso,
como
isso
seria
possível?!
A
verdade
é
que
essa
dupla
dinâmica
Topalov-Danailov vem fomentando
cada
vez
mais
especulações
sobre
o
seu
estranho
comportamento.
Martin ressalta
que
“quem
tenha
observado
esses
dois
durante
a
segunda
e
terceira
rodadas, deve
ter
ficado
com
a
forte
impressão
de
que
eles
se comunicavam
sem
palavras,
comunicação
essa
que
só
poderia
ser
percebida
por
quem
os estivesse observando
atentamente
no
salão
de
jogos”.
Na
segunda
rodada, Topalov jogava
com
as brancas
contra
Loek
Van
Wely (Siciliana,
variante
Najdorf –
luta
com
roques
em
lados
opostos),
a
partida
transcorria
normal,
tranqüila
e
com
evidente
equilíbrio.
Isso,
até
a
chegada
de Danailov no
recinto.
Martin descreve: “Durante
a
hora
seguinte,
repetia-se
um
curioso
ritual:
depois
que
Van
Wely executava
um
lance,
Danailov saía correndo do
salão
e sacava do
paletó
um
telefone
celular.
Talvez
ele
quisesse
cumprimentar
a
alguém
pelo
seu
aniversário
ou
ficar
sabendo da
cotação
da
bolsa
de
valores.
Mas
também
podia
estar
conversando
com
alguém
em
qualquer
parte
do
mundo
que
estivesse assistindo a essa
partida
on-line,
via
Internet”.

Topalov x
Van
Wely (2ª rodada)
V. Topalov,V (2783) x
(2683) L.
Van
Wely [B90]
Corus A Wijk aan Zee
NED (2), 14.01.2007
1.e4 c5 2.Cf3 d6 3.d4
cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 a6 6.Be3 e5 7.Cb3 Be7 8.Dd2 0–0 9.0–0–0 b5
10.f3 Be6 11.Cd5 Bxd5 12.exd5 Dc7 13.g4 Tc8 14.Rb1 b4 15.g5 Cfd7
16.h4 a5 17.Bh3 a4 18.Cc1 Ca6 19.h5 Tcb8 20.g6 Bf6 21.gxf7+ Rxf7
22.Be6+ Rf8 23.b3 Cdc5 24.Thg1 De7 25.Bf5 Rg8 26.Bxc5! Cxc5
27.Dh6 Rf8 28.Dxh7 Df7 29.Cd3 axb3 30.cxb3 Cxd3 31.Txd3 e4
32.Be6 exd3 33.Bxf7 Txa2 34.Dg8+ Re7 35.Rxa2, 1–0.
(Até
hoje
ninguém
se lembrou de
perguntar
por
onde
anda,
durante
uma
partida
de Topalov, a
principal
figura
do
seu
staff,
seu
treinador
GM Ivan Tcheparinov. É
estranho
que
seja
exatamente
na
hora
da
disputa
que
ele
desapareça
como
por
encanto.
Mas...
não
seria
ele
mesmo
quem
estaria num
quarto
de
hotel
examinando,
com
o
auxílio
do Fritz-10, a
partida
on-line.
E
quem
sabe,
até
atendendo a
um
aflito
chamado
telefônico
de
algum
conveniente
celular?!).
E Martin prossegue:
“Fosse
como
fosse, Danailov,
depois
de
muito
pouco
tempo,
retornava ao
salão,
aproximando-se
sempre
do
mesmo
lugar
de uma
determinada
área
de
espectadores
e colocava uns
óculos
que
ele
não
costuma
usar
nunca.
Topalov ficava sentado à
esquerda,
sob
o
ponto
de
vista
dos
espectadores,
e Danailov ia se
colocar
à
direita,
por
trás
de uma
barreira
que
lhe
garantia
o anonimato do
público
a uns 15
metros
de
distância
de Topalov”.
Mais
estranho
ainda,
relata Martin, é
que
“na
realidade,
do
ponto
de
onde
ficava, Danailov
não
podia
ver
nada
da
partida,
nem
sequer
o
telão
que
mostrava a
posição
das
peças.
Em
compensação,
dali
ele
podia
estabelecer
um
contato
visual
direto,
olho
no
olho,
sem
que
Topalov precisasse
virar
a
cabeça.
E no
instante
em
que
era
sua
vez
de
jogar,
Topalov colocava os
cotovelos
sobre
a
mesa
e segurava a
cabeça
com
ambas as
mãos”.
Como
é
claramente
dedutível, diz Martin: “Nessa
postura
pensativa,
parecia
que
ele
olhava
para
o
tabuleiro,
assim
como
também
podia
divisar
por
entre
os
dedos
em
treliça
os
estranhos
movimentos
que
Danailov fazia.
Por
exemplo,
no 26º
lance,
Danailov
não
só
chupitava o
dedo
polegar,
como
também
o pendulava de
um
lado
ao
outro
dos
lábios.
Isso
foi o
suficiente
para
que
Topalov capturasse o
cavalo
adversário
(26 Bxc5). Na
maioria
das
vezes,
Danailov tirava os
óculos
e
apressado
se retirava do
salão
para
fazer
uma
oportuna
chamada
ao
celular.
Depois
de 3
minutos,
ei-lo
pressuroso
de
volta
ao
seu
estratégico
lugar,
ocasião
em
que
outra
vez
recolocava os
óculos.
E
enquanto
Topalov assumia
novamente
a
postura
ideal
diante
do
tabuleiro,
seu
manager coçava a
orelha
entre
três
e
seis
vezes,
tirava e recolocava os
óculos
com
o
dedo
indicador
ou
realizava
outros
movimentos
que
pareceram
extremamente
curiosos”.
Martin acrescenta: “No
31º
lance,
Danailov voltou a
chupitar
o
polegar
e Topalov tomou o
cavalo
de d3 (31 Txd3).
Depois
de 35
lances,
Van
Wely abandonou numa
posição
desesperadora”.
Palavras
de
Van
Wely: “Durante
a
partida,
não
senti de
maneira
nenhuma
que
algo
de
anormal
estivesse acontecendo,
mas
me
avisaram de
que
Danailov estava se comportando de
um
modo
muito
suspeito”.
Diante
da esdruxularia dessa
situação,
várias
pessoas
cotejaram os
lances
que
Topalov fez,
depois
de encerrada a
fase
da
abertura,
com
os
lances
que
algum
soft de
última
geração
(Fritz-10) faria,
ocasião
em
que
ficou constatada a
coincidência
entre
ambos.
E é interessante e
oportuno
observar,
com
relação
ao match de Elista (Kramnik x Topalov),
que
Danailov naquela
ocasião,
mui
solícito,
apresentou ao
membros
da
comissão
técnica
daquele
evento
várias
súmulas
com
a
coincidência
dos
lances
de Kramnik
com
os
lances
do Fritz-9, querendo
provar
assim
que
no
retrete
do
campeão
mundial havia
algo
mais
do
que
apenas
matéria
orgânica
metabolizada. E olhem
que
de merda Danailov deve
entender
muito
bem.
Depois
da
partida
Topalov x
Van
Wely, o
árbitro
principal,
alertado
sobre
as
momices
do manager de Topalov (eu
falei manager,
eu
não
falei massagista), garantiu
que
no
dia
seguinte,
na
partida
Karjakin x Topalov, iria
fiscalizar
e
coibir
com
rigor
qualquer
anomalia
que
porventura
viesse a
acontecer.
Ao
contrário
de San Luis,
quando
Topalov permaneceu o
torneio
inteiro
sempre
na
mesma
mesa,
facilitando
assim
a
suspeita
comunicação
com
Danailov, na
partida
Karjakin x Topalov (3ª rodada,
dia
15.01.2007), o GM-A búlgaro estava sentado
mais
a
direita
da
zona
dos
jogadores.
Depois
do 20º
lance,
começou
outra
vez
o
show,
com
a
entrada
de Danailov
em
cena.
A
descrição
de Martin é
contundente:
“Dessa
vez,
em
virtude
da
posição
em
que
Topalov se encontrava, Danailov aproximou-se
pela
esquerda,
ficando
assim,
como
no
dia
anterior,
impossibilitado de
ver
a
partida
no
telão,
mas
em
compensação
com
um
excelente
contato
visual
com
Topalov. Nesse
momento,
a
situação
de Topalov na
partida
era
preocupante, Karjakin (que
três
dias
antes
completara 17
anos!
– HC)
tinha
clara
vantagem”.

Karjakin x Topalov
(3ª rodada)
S. Karjakin (2678) x
(2783) V. Topalov [B90]
Corus A Wijk aan Zee
NED (3), 15.01.2007
1.e4 c5 2.Cf3 d6 3.d4
cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 a6 6.Be3 e5 7.Cb3 Be6 8.f3 h5 9.Dd2 Cbd7
10.0–0–0 Be7 11.Rb1 Dc7 12.h3 b5 13.Bd3 h4 14.f4 Tc8 15.The1 g6
16.Df2 Db7 17.Ca5 Db8 18.f5 gxf5 19.exf5 Bc4 20.Cxc4 bxc4 21.Be4
Cxe4 22.Cxe4 Cf6 23.Df3! Dc7 24.Cc3 Tg8 25.Bf2 Th8 26.Cd5
Cxd5 27.Txd5 f6 28.Te4
Tb8 29.Txh4 Txh4 30.Bxh4 Db7 31.b3 Rd7 32.Be1 Dc6 33.h4 Tc8 34.Dd1
Tg8 35.g3 Bf8 36.Bf2 Bh6 37.Bc5 Bf8 38.Bf2 Bh6 39.Tc5 Dg2 40.Be1
cxb3 41.axb3 Bd2 42.Tc4 d5 43.Ta4 Bxe1 44.Dxe1 Txg3 45.Txa6 Dg1
46.Dxg1 Txg1+ 47.Rb2 Re7 48.Te6+
Rf7 49.Td6 e4 50.Rc3 Tf1 51.Td7+ Rf8 52.Td8+ Rf7 53.Td7+ Rf8
54.Td8+ ½–½.
Analisando esta
partida,
o GM russo Konstantin Sakaev dizia
que
depois
de 23 Df3, “as pretas têm
suas
peças
desordenadas,
seu
bispo
é
ruim
e
seus
peões
são
fracos.
A
vantagem
das brancas é
enorme,
provavelmente
decisiva”.
Voltando às
observações
de Martin: “No 23º
lance,
lá
estava Danailov, usando
óculos,
quando,
de
repente,
o
árbitro
se postou de
maneira
a
impossibilitar
o
contato
visual
entre
Topalov e Danailov, ao
mesmo
tempo
em
que
olhava acintosamente
para
este
último
de
maneira
interrogadora. A
tensão
desse
momento
só
foi
quebrada
quando
alguém
chamou Danailov
para
uma
entrevista
televisiva”.
Martin observa
que
“quando
Danailov voltou, Topalov
já
executara
dois
lances,
e a
encenação
recomeçou: Danailov saiu do
salão,
voltou, dirigiu-se
para
o
lugar
propício,
pôs os
óculos,
tirou os
óculos
etc..
Tudo
isso
mais
de 20
vezes.
Por
fim,
depois
de uma
série
de
lances
exatos,
Topalov conseguiu
empatar.
Pouco
antes,
porém,
ao aproximar-se o
primeiro
controle
de
tempo
(2
horas
para
os
primeiros
40
lances),
houve uma verdadeira
azáfama,
como
descreveu
um
espectador
que
durante
duas
horas
não
perdeu
um
só
detalhe
dessa
pantomima”.
--
Era
difícil
de
acreditar
no
que
estava se passando, Danailov chegou esbaforido, abrindo
caminho
aos empurrões
para
chegar
ao
lugar
de
onde
podia
estabelecer
contato
visual
com
Topalov.
Aquilo
era
realmente
uma “questão
de
tempo”...
O
conhecido
jornalista
inglês
Leonard Barden publicou no The Guardian (30.01.2007)
um
artigo
sobre
esse
polêmico
assunto.
E o
que
lhe
causa
maior
estranheza
é o
fato
de
que
a
extraordinária
“explosão”
de Topalov (Bulgária, 15.03.1975) venha se dando
logo
agora,
quando
ele
já
atravessou a
barreira
dos 30
anos.
Nesse
mesmo
artigo,
Barden cita
que
um
tape
gravado
com
as
patuscadas
do manager de Topalov (eu
falei manager,
eu
não
falei massagista) foi mostrado a Garry Kasparov,
que
sentenciou:
-- No
mínimo,
eles
teriam uma
série
de
perguntas
para
responder...
0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0
Ainda
há
quem
acredite na
inocência
dessa
dupla
dinâmica
e
|